Pode não ser a melhor estratégia essa desenvolvida pelo vice-governador Laurez Moreira de deslocar-se pelo Estado como se governador fosse.
Ou que vice tivesse um papel expandido do perímetro estabelecido constitucionalmente.
Ainda que não fosse sua intenção, a situação expõe fissuras e,com elas, acirra divisões, conceitos e conclusões nem sempre racionais.
Poder-se-ia entender como tão somente exercício da prerrogativa de movimentar-se politicamente. E é o vice. Mas não é.
As circunstâncias exigiriam, com efeito, maior prudência. A mesma que, entende-se, o vice exigiria do titular.
Ambos, no entanto, passam a impressão de se engalfinham.E se repetem ciclicamente na oscilação de ação e reação.Não foram eleitos em 2022 para o estratagema.
Como ainda é o vice (não renunciou ao cargo), o proselitismo aparentemente eleitoral sugere uma campanha antecipada pelo cargo de governador.
Declarada com dois anos de antecedência. Isto tem um custo financeiro e institucional. Repita-se: é ainda o vice-governador.
Com uma vantagem: não teria as restrições legais impostas ao titular. Ainda que fosse, como ele, remunerado pelo poder público.
E aí mais uma questão: favorece a divisão, dois anos antes, “do público”, da administração e dos propulsores da economia, susceptíveis às variantes da perspectiva de poder.
Como é óbvio, a perspectiva de poder futuro tem maior empuxo do que a perspectiva de poder se esvaindo.
Pragmaticamente, o vice só assume na vacância do titular. Significa que a práxis em curso favorece, no Estado, uma cisão antecipada.
Com resultados conhecidos pela população que já foi obrigada a três processos traumáticos de cassação de governador em pouco mais de uma década.
Laurez sempre foi um político prudente e equilibrado. Não pode deixar a “tigrada” destituí-lo desse ativo.
Até porque assumir o governo agora não dependeria tão somente de sua vontade política.
Prerrogativa que ele só terá, a priori, nas eleições de 2026 e mediante a chancela das urnas.


