Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Laurez não pode deixar o "sentimento da tigrada" destituí-lo de seus ativos. Estratégia em curso sugere aposta no caos ou campanha antecipada com nítidos prejuízos ao Estado

21/12/2024 848 visualizações

Pode não ser a melhor estratégia essa desenvolvida pelo vice-governador Laurez Moreira de deslocar-se pelo Estado como se governador fosse. 

Ou que vice tivesse um papel expandido do perímetro estabelecido constitucionalmente.

Ainda que não fosse sua intenção, a situação expõe fissuras e,com elas, acirra divisões, conceitos e conclusões nem sempre racionais.

Poder-se-ia entender como tão somente exercício da prerrogativa de movimentar-se politicamente. E é o vice. Mas não é.

As circunstâncias exigiriam, com efeito, maior prudência.  A mesma que, entende-se, o vice exigiria do titular.

Ambos, no entanto, passam a impressão de se engalfinham.E se repetem ciclicamente na oscilação de ação e reação.Não foram eleitos em 2022 para o estratagema.

Como ainda é o vice (não renunciou ao cargo), o proselitismo aparentemente eleitoral sugere uma campanha antecipada pelo cargo de governador. 

Declarada com dois anos de antecedência. Isto tem um custo financeiro e institucional. Repita-se: é ainda o vice-governador.

Com uma vantagem: não teria as restrições legais impostas ao titular. Ainda que fosse, como ele, remunerado pelo poder público.

E aí mais uma questão: favorece a divisão, dois anos antes, “do público”, da administração e dos propulsores da economia, susceptíveis às variantes da perspectiva de poder.

Como é óbvio, a perspectiva de poder futuro tem maior empuxo do que a perspectiva de poder se esvaindo.

Pragmaticamente, o vice só assume na vacância do titular. Significa que a práxis em curso favorece, no Estado, uma cisão antecipada.

Com resultados conhecidos pela população que já foi obrigada a três processos traumáticos de cassação de governador em pouco mais de uma década.

Laurez sempre foi um político prudente e equilibrado. Não pode deixar a “tigrada” destituí-lo desse ativo.

Até porque assumir o governo agora não dependeria tão somente de sua vontade política.

Prerrogativa que ele só terá, a priori, nas eleições de 2026 e mediante a chancela das urnas.

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