Não se pode negar o atual empoderamento do Executivo e Legislativo estadual proporcionado por uma hegemonia que, na política, é circunstancial.
Disto se tem que a potência de poder, fundada nessa hegemonia, fosse também sujeita a alterações de curso e, portanto, imprevisíveis, dispostas ao acaso e não produto de determinismo histórico.
Só mesmo a não percepção destes sentidos para explicar os movimentos no Legislativo e Executivo para, a partir desta maioria efêmera, determinar a sucessão estadual de 2026.
Uma das táticas – discutida em reunião com parlamentares e vazada por um dos participantes – a tensão entre o governador e o vice seria desarmada com a indicação de Laurez Moreira a conselheiro do TCE. Ali, há uma meia dúzia com tempo de aposentadoria.
Na tese, Laurez concordaria, em troca do cargo, com uma espécie de dupla renúncia, como aquela de Siqueira e João Oliveira em 2014. Evidente que isto teria um custo no governo, no Legislativo e no TCE, que é orgão auxiliar do próprio Legislativo.
E é provável que um conselheiro que já tem direito a aposentadoria e ainda não vestiu o pijama não faria isto apenas pelos bons olhos de Wanderlei, Amélio ou Laurez. Apenas uma contribuição à harmonia institucional e ao projeto político de Amélio e Wanderlei.
Indo para o TCE, Laurez teria que renunciar ao cargo de vice junto com Wanderlei (que disputaria o Senado). E aí, assumiria o cargo de governador o presidente do Legislativo, Amélio Cayres, com direito à reeleição.
“Se pensam que vou participar de uma nova dupla renúncia estão muito enganados”, torceu o nariz ontem o vice. Disse ao blog que vai disputar o cargo de governador, no cargo ou não. “Não me interessa outro cargo, meu projeto é governar o Estado”.
Como disse, uma hegemonia sem a compreensão do que ela significa leva a equívocos, perda de noção de espaço que, não raro, proporciona consequências indesejáveis.


