A senadora Kátia Abreu fez circular nota ontem negando conversações com o deputado Osires Damaso (pré-candidato ao governo) na chapa majoritária e reiterando apoio à candidatura do governador Wanderlei Barbosa. Kátia é cortês com Damaso com quem lidou no Democratas. Não são oponentes.
Se negou peremptoriamente a chapa com Damaso e reiterou apoio ao Governador, a Senadora nada escreve sobre composição com o PSB de Carlos Amastha. Uma coisa dependente da outra dado que uma das supostos exigências do ex-prefeito seria a posse do suplente de deputado federal, ex-vereador Thiago Andrino, na vaga de Osires. Uma chapa cujo vice seria o empresário Osvaldo Stival (indicado também por Amastha), expelindo da chapa Edson Tabocão.
A nota pública contraria as especulações políticas já públicas (inclusive de aliados de Wanderlei) apontando dissensões nos dois grupos que teriam contaminado a aliança provocando as distensões entre Kátia Abreu, Irajá Abreu e Wanderlei Barbosa. Ninguém inicia uma campanha eleitoral com uma desconfiança dessas. Nem o eleitor. Além do mais, é mais gente para acomodar na chapa que vaga disponível.
Wanderlei, com a mesma intensidade com que declarou apoio público à Senadora na chapa majoritária há menos de três meses (e a seis meses das convenções), faz até agora obsequioso silêncio sobre a divisão buscada em sua base por um grupo de parlamentares e secretários de Estado. Deixa correr frouxo que teria optado pela deputada Dorinha Seabra e já teria até um vice: o ex-prefeito Laurez Moreira.
Marcelo Miranda correu o mesmo risco quando deixou seus secretários e aliados disseminarem à vontade que não apoiava a candidatura de Nilmar Ruiz a prefeita de Palmas (quando as pesquisas a indicavam com maioria absoluta de intenções e ele não tinha outro candidato mais competitivo e Raul Filho, oposição, ia para reeleição). Decidiu publicitar seu apoio na ante-véspera da convenção, indicou até o marqueteiro e deu no que deu.
Política é preenchida por símbolos o que dá ao repouso de Wanderlei sobre o assunto Kátia o sentido de movimento na direção oposta. Há no grupo de Wanderlei políticos refratários ao protagonismo de Kátia e suas proposições que, em larga medida, os contraria no modo de fazer política. Katia tem projetos substanciosos desconectados com populismos usuais. No Palácio (não só hoje) regra geral imperam os recursos auriculares. Muitas vezes, puro fuxico entre adversários pontuais na divisão de poder, distante do interesse publico.
Isto poderia interferir nas decisões do governador que hoje, do ponto de vista político, administrativo e fiscal em nada difere, na forma de governar, de governadores que o antecederam de cuja causa o efeito é meio milhão de pessoas na extrema pobreza, com R$ 100 para passar um mês e de outro lado um pibão de R$ 40 bilhões e um PIB per capita de R$ 25 mil. Espantosa e até criminosa concentraçao de renda.
Eleitoralmente ambos saem perdendo com o suposto racha. Não resiste à contrariedade, por mínima que seja, o argumento de que deputados e governo ganhariam sozinhos a eleição. Os ex-governadores Carlos Gaguim e Sandoval Cardoso estão aí para demonstrar o contrário. A maioria dos deputados em favor de Wanderlei não é, por certo, garantia de que os eleitores não os escrutinem na maioria que concederam a Mauro Carlesse, que agora intentam demonstrar, na mesma maioria e consórcio que novamente firmaram entre si representar o anti-governo Mauro Carlesse o governo de Wanderlei.
Do outro lado, denecessário colocar as verbas eleitorais e partidárias do PP e do PSD e a musculatura política de dois senadores de Estado, com significativo montante de recursos destinados a municípios e quase a metade dos prefeitos do Estado. Ou seja, as perdas são dos dois grupos. Mas matemática política não parece ser o forte dos tais formuladores políticos palacianos.


