O Estado inicia a semana com a informação (da imprensa nacional) de que a senadora Kátia Abreu tem tudo para ser a indicada pelo Senado para a vaga do ministro Raimundo Carreiro, no Tribunal de Contas da União. Carreiro foi convencido a aposentar-se e nomeado embaixador em Portugal pelo presidente Jair Bolsonaro. Kátia, assim, livra-se da preocupação em renovar mandato ou disputar governo em condições que não lhe são circunstancialmente, do ponto de vista político, muito favoráveis.
O TCU é formado por nove ministros. Seis são escolhidos pelo Congresso, dois entre os ministros substitutos e membros do MPU e um nono pelo presidente, aprovado pelo Senado. A vaga, agora, é do Senado. Kátia disputa com Fernando Bezerra Coelho. Mas a Senadora levaria vantagem com o apoio dos filhos de Bolsonaro (de quem é anfitriã em Palmas), ministros do STJ e STF e senadores influentes no Congresso.
Se Kátia ganha por um lado com a nomeação (cargo relevante, estabilidade, aposentadoria, com salários situados na faixa dos R$ 37 mil, podendo chegar a R$ 50 mil com os penduricalhos) terá que entregar os anéis: o cargo de senadora ao suplente petista Donizeti Nogueira (que tem candidato a governo no Estado) e a direção do PP no Tocantins pelo qual, conforme a mesma imprensa nacional, estaria conversando com o governador interino Wanderlei Barbosa que pode candidatar-se à reeleição. No TCU, é vedado a Kátia movimentações políticas e partidárias.
Kátia há muito trocou a tábua de valores políticos de Ciro Gomes, de quem foi candidata a vice-presidente contra Jair Bolsonaro, pelo bolsonarismo. Diferente daquela que saía pelo Estado segurando nas mãos dos sem-terra e militância no governo petista de Dilma Roussef. Na prática, retoma sua plataforma direitista conservadora. Tem votado com a base do governo no Congresso.
É competente, estuda muito e tem autoridade respeitada no país. De vez em quando dá uma derrapada como foi imiscuir-se em questões familiares no final de semana quando criticou, sem qualquer motivo aparente, nas redes sociais o posicionamento contrário do deputado Eduardo Siqueira à filiação do pai Siqueira Campos ao PL pelas mãos de Vicentinho Alves. Politicamente, Siqueira tinha trocado seis por meia dúzia: Democratas pelo Partido Liberal, o que dava à contrariedade de Eduardo mais expressão de afeto do que de resistência política.
Eduardo (filiado ao direitista Democratas em fusão com o PSL, ex-partido de Jair) demonstrava uma preocupação meramente filial com o uso político do pai, já próximo dos 94 anos e que deveria ser preservado. Até por questões de saúde. Politicamente, entretanto, não é necessário certamente ser filho para entender as razões da filiação do ex-governador ao partido de Jair Bolsonaro.
De forma que a movimentação de Kátia joga no colo de Bolsonaro mais um candidato ao governo: Wanderlei Barbosa. Palanque que já tinha o governador afastado Mauro Carlesse, numa eventual disputa ao Senado e que pode, assim, fazer companhia a Wanderlei. Uma arapuca e tanto!!!. Ainda que o presidente tenha amargado popularidade na casa dos 19%. Dilma quando foi aberto o processo de impeachment na Câmara tinha a aprovação de apenas 18% da população.
Bolsonaro já tinha presumivelmente no Estado potenciais candidatos ao governo como o senador Eduardo Gomes e Vicentinho Alves, que entrou no processo agora. Ou o próprio senador Irajá Abreu que não esconde sua vontade de governar o Estado e tem nos filhos de Bolsonaro relações não só políticas, mas de amizade.
Terão como adversário o petista Paulo Mourão que perdeu a vaga de Senado em 2018 para o próprio Irajá Abreu e Eduardo Gomes, na chapa de Marlon Reis. Amargou a sexta pior votação para o Senado (10,80% dos votos). Numa eleição em que o PT, com Fernando Hadad, bateu Jair Bolsonaro pela presidência no Estado.
Resta ver se com Lula, agora, a situação seria diferente. A história registra que se dependesse do ex-presidente, o deputado Célio Moura já teria sido governador do Estado há muito.


