A política não tem dado vida fácil à ex-senadora Kátia Abreu. O dado positivo é que, sua trajetória registra, a ex-parlamentar, não raro, faz do limão uma limonada. Fale-se o que quiser dela, do gênio, de não economizar nas tintas para expor seu pensamento. Mas não tem histórico de acusação de desvios de recursos públicos.
Nas emendas parlamentares (nas mais de duas décadas de mandato na Câmara e Senado), mandava direto para os prefeitos ou governo e não nunca teve essa rotina da maioria de indicar empresas a prefeitos. Tampouco de montar grupos políticos ou angariar apoios parlamentares com verbas públicas. E estuda. Estuda muito!!!
No Tocantins, depois de ser derrotada da noite para o dia pelo siqueirismo de que fazia parte (1.998) - anoiteceu como a deputada federal com projeção de maior votação do Estado e acordou primeira suplente de Nilmar Ruiz – ação que atribuía a Eduardo Siqueira (Nilmar fora trazida para a Capital pelo ex-senador quando prefeito), saiu das urnas, na eleição seguinte, em 2002 com a 3ª maior votação proporcional do país para a Câmara dos Deputados. E a maior votação do Estado.
Derrotou o próprio Eduardo (e Siqueira) para o Senado (e governo) em 2006. Isto depois de baixarias inomináveis do siqueirismo que panfletava horrores contra a então deputada nas madrugadas na Capital e em colunas pagas de jornais e revistas de circulação nacional.
Uma das jornalistas foi até demitida da empresa pelas calúnias contra Kátia. Notinhas que eram reproduzidas (plantadas justamente para isto) pelo siqueirismo no Estado. E Kátia os trouxe de volta à política em 2010, sendo decisiva, não só na candidatura de Siqueira, mas na sua vitória contra Carlos Gaguim que era o governador.
Foi a primeira mulher a presidir sindicato rural no país, a primeira mulher a presidir uma Federação de Agricultura do país, a primeira presidente mulher da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a primeira mulher a presidir a Bancada Ruralista na Câmara dos Deputados e a primeira mulher a ser Ministra da Agricultura do país.
Se fizesse uso da condição de gênero num país conservador e machista como o Brasil, seria presidente. O próprio machismo e conservadorismo da política encarregou-se de negá-la no que representava. Uma hipocrisia política com endosso das próprias mulheres. Se fosse outra mulher, poderia. Mas Kátia Abreu, não!!! Seria sempre,ainda que mulher, a portadora da moto-serra que ela nunca empunhou!!
Uma visão machista da mulher fazendeira. E contrária à própria ação política da ex-senadora. Está aí o Código Florestal de que foi a responsável direta, uma das mais modernas legislações ambientais do país (e do planeta) e que Katia conseguiu aprovar contra tudo e contra todos. Até os petistas, jornalistas e Ongs engajadas.
Presidente da CNA foi nomeada Ministra da Agricultura de Dilma Roussef contra o PT e a JBS (a quem Kátia acusou de tentar monopolizar o mercado com financiamento de R$ 7 bilhões do BNDES/lembram-se da propaganda da carne JBS?).
Kátia, no Ministério, acusou a JBS de monopolizar as portarias internas em seu favor. Um dos exemplos: bilhões de dólares em míudos (produto de alto consumo dos orientais) só podiam, pela norma do MA, ser exportados pela JBS!!! Ou seja, Joesly Batista mandava nas normas internas de exportação. Descobriu-se mais tarde, com os escândalos de Joesley Batista, que Kátia estava certa.
Não à toa, a JBS deflagrou uma intensa campanha contra Kátia (não menos amplificada por seus adversários políticos no Estado) através do Canal Terra Viva. E endossada pelos petistas (do Tocantins e alhures), ainda que Kátia servisse ao governo de Dilma Roussef. Os petistas chegaram a fazer manifestação na Avenida JK de Palmas fincando cruzes com o nome de Kátia, quando ela era ministra do governo do PT.
Saiu do governo junto com a presidente (a quem foi uma das mais leais até o impeachment) depois de aprovar a queda da CPMF, o Código Florestal e ter modificado a situação do país nos mercados internacionais. E padeceu de falta de apoio dos petistas nas suas campanhas regionais.
Ainda que um dos seus suplentes de senador fosse um ex-presidente regional petista e um suplente de deputado federal do PT só tivesse assumido o cargo por força de conversações de Kátia com o filho, então deputado federal Irajá Abreu.
E agora, é anunciada por Lula como diretora da JBS (que fez campanha deliberada contra ela) – na vaga do BNDES – após ser fritada pelos mesmos petistas para cargos no governo federal de Lula. E os aliados petistas espalham que seria um prêmio de consolação.
O “prêmio de consolação” que faturou no ano passado (receita líquida) de R$ 374 bilhões. Mais que os R$ 350 bilhões (2021) ou R$ 270 bilhões (2020). Só no 1º semestre de 2023, as receitas líquidas foram de R$ 87 bilhões. E é a maior processadora de proteina animal do mundo, presente em mais de 20 países. No Estado tem uma planta frigorífica em Araguaína.
A JBS tem 247 mil empregados no planeta e é a segunda maior empresa brasileira (R$ 207 bilhões), atrás apenas da Petrobras (R$ 972 bilhões). Ali a participação do BNDES (governo) é de 20,83% (terceiro maior acionista) das ações (R$ 40 bilhões/ três vezes o orçamento anual do governo do Tocantins).
É outro limão e outra limonada, tudo indica.


