Pouco ou nada se deu à possibilidade concreta da senadora Kátia Abreu (PP/TO) ocupar uma vaga de Ministra do Tribunal de Contas da União, decidida na noite de ontem em favor do senador Antônio Anastasia (PSD/MG).
A não ser pela suposição de que a parlamentar buscasse alojar-se no TCU em lugar de disputar novo mandato, a movimentação no Estado nos últimos meses em torno da probabilidade de escolha da senadora optou por inverter as razões que davam à disposição de Kátia Abreu, a partir de sua trajetória política, maior ativo ao Tribunal do que dele pudesse retirar.
A parlamentar, posto isto, deduz-se, teve que enfrentar resistências e mesquinharias regionais, o fator-mulher, oriunda de um Estado pobre com apenas 0,6% do eleitorado do país e 0,7% da população, disputando com outros dois senadores de Estados mais tradicionais tanto na história, economia quanto no coronelismo enraizado.
A sociedade política local, tão rápida quanto rasa em defender o “novo Estado e sua cultura”, preferiu, com pouca margem de dúvida, tratar a questão como interesse particular da parlamentar, embrulhando a resistência nas divergências partidárias e até pessoais no que terminavam explicitando motivações e razões para fazê-lo, aplicando na parlamentar, de forma invertida, os princípios com que justificaram suas presuntivas posições refratárias.
Obviamente que, com isto, negariam subliminarmente que a Senadora pelos cargos que já ocupou e a conhecida dedicação aos estudos dos problemas nacionais de que é portadora, se estava concorrendo a ministra do Tribunal de Contas, o fazia, tudo indica, mais em função de interesse público do que por um salário de R$ 37 mil que pouco ou em quase nada alteraria suas posses.
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