A reação da senadora Kátia Abreu ontem desvia a movimentação do PSD e Avante para o pantanoso campo da traição partidária, expondo a parlamentar como vítima. Um desconforto inesperado.
E, ainda assim, a senadora reconhece os papéis distintos, competências e prerrogativas do senador Irajá Abreu.
Situações na política insubordinadas à sua condição de mãe como sua movimentação, sob a mesma régua, não se subordinaria à do filho. Na poltica, entretanto, enxerga-se mais um lado do que o outro.
Kátia, entretanto, tem crédito: são indiscutíveis suas demonstrações de lealdade a aliados e quando toma decisões não o faz por desvios ou atalhos. No popular, é papo reto. Produto em extinção na política.
Sua trajetória política é recheada de exemplos que justamente por serem como são, impõem-lhe passivos. Quando discorda, bota a boca no trombone e não tem acusações de desvios nos quase 25 anos de Câmara e Senado.
O papel de vítima com que presentearam Kátia (já vinha sendo fritada internamente por alguns deputados ligados a Wanderlei) pode atrair a atenção do eleitor, lembrar de sua lealdade (Dilma Roussef e o próprio Wanderlei) e do seu trabalho na CNA, Senado e no Ministério em prol do Estado.
Ao dizer ontem que respeitará uma eventual decisão de Wanderlei Barbosa de voltar atrás, a Senadora joga, por consequência, todo esse patrimônio nas mãos do governador que há oito meses era um vice.
E cujo grupo não conseguiu construir ou atrair para disputar o Senado uma politica com ativo da Senadora e cuja potência reside justamente no histórico de lealdade que, agora, os áulicos do Governador estão a esgrimir causador de desconfiança quando tudo indica estivessem resistindo em defesa própria, dado o modo transparente de Katia encarar a administração púbica.
Talvez fosse mais producente à Senadora disputar a reeleição sem pedir votos a governadores. Alguns, por sinal, no campo político e juridico,não podem dizer o mesmo que ela.


