O deputado Junior Geo enfrentando o escrutínio dos adversários e da população iluminada com o facho de luz sobre suas contas. A hora é da verba da Codap da ordem de R$ 35 mil mensais a que tem direito cada parlamentar.
A verba é legal e legítima. Discute-se, no entanto, o mérito de sua aplicação. E aí o problema do deputado que tem feito luminar de sua tábua de conceitos, a melhor aplicação do dinheiro público. E é esgrimindo estes valores éticos e morais que tem desenvolvido sua campanha a prefeito.
Os números que agora vem a público são, claro, públicos. O acesso ao portal das transparências do Legislativo é aberto. As circunstâncias apenas o iluminaram e elas expõem um deputado com duas narrativas paralelas. Como ele é professor de cursinho, deve entender (e compreender) que duas retas paralelas, na matemática, não se encontram nem no infinito.
Nada de novo. O observador mais astuto das atividades legislativas não tem dificuldade para entender (e, lógico, compreender) que o deputado do Pros discursa para jornalistas como oposição ao governo mas vota com o Palácio em todas as matérias governistas.
E isto tem um custo. Ou imagina que as pessoas não ligarão uma coisa a outra ou ele próprio não junta lê com cré. E aí seria mais grave ainda: teríamos representando a população no Legislativo um parlamentar com problemas cognitivos. Um leso. O que não é verdadeiro.
No fato do dia, publica-se que o deputado gasta praticamente a cota inteira da Codap mensalmente. Dentro da lei. Mas em despesas (que são ressarcidas) não muito ortodoxas. De frente para a lei. Ele (como os demais) que já tem auxílio moradia (mesmo tendo casa própria na Capital) de R$ 4,3 mil mensais, por exemplo, gasta R$ 1.400,00 (mais condomínio) de apart hotel.
É também constante nos ressarcimento da Codap despesas de locadora de veículos da ordem de R$ 2.500 mensais. Só que também há gastos com combustível.
Em janeiro de 2020, por exemplo, o deputado teve ressarcidos (registrou) R$ 2.500 da locadora mais algo próximo a R$ 5 mil de combustíveis. Ou seja, R$ 7.500 com deslocamentos sendo que no Legislativo existem os carros oficiais. Em janeiro, como é público, o Legislativo está de recesso.
Em fevereiro de 2020, a situação piora: ali o deputado pediu ressarcimento de R$ 12 mil de despesas com combustíveis. Sendo que contabiliza (pede ressarcimento) também de R$ 2.500 de locação de veículos.
Para tudo isto aí o deputado deve ter uma explicação. Tem dificuldade, entretanto, é para demonstrar à população sua régua de prioridades morais e éticas, contrapondo-a à penúria dos mais de 600 mil desocupados e sem renda no Estado. Ou dos 47% da população da Capital situados na pobreza.
E aí perde na narrativa, por exemplo, para outro candidato: o vereador Tiago Andrino que abriu mão das Codap na Câmara de Vereadores. Um confronto moral e ético por que tanto apela Junior Geo. Só que, para ele, de resultado e sentido inversos.


