Quinta-feira, 16 de Abr de 2026

Josino Guerra morre de infarto: o maior líder popular na história do MDB na Capital. E que, como João Cruz, foi preterido pela legenda nos anos 90

luizarmandocosta 09/09/2019 2555 visualizações

Com a morte de Josino Guerra na última sexta (que sabe-se apenas hoje em Palmas) de infarto em sua casa na cidade de Sete Lagoas (MG), vai-se parte do MDB estadual. Josino teve problemas decorrentes de uma combinação explosiva mas tão intensa como ele próprio, avesso a seguir orientações médicas ao pé da letra. Bebida alcoólica e antidepressivos teriam puxado o pino do seu coração.

Josino foi o político mais popular na Capital durante o governo de Moisés Avelino. Eram parentes meio afastados mas oriundos da mesma região: Moisés, de Santa Filomena e Josino de Corrente, no Piauí, coladinho no Jalapão. Josino foi um dos políticos mais inteligentes e estrategistas que já passaram pela política do Estado. E tinha o cheiro do povão. Mas o MDB não deu-lhe chance de mandato eletivo.

Josino deu ao MDB a cara da Palmas da periferia no início dos anos 90. Deve-se a ele, em grande monta, a transformação de uma área destinada a pessoas de alta renda (ali onde hoje é as Arnos) em um bairro popular. A pouco mais de 500 metros do Palácio do Governo.

No contraponto das vilas populares criadas pelo siqueirismo que empurrou os sem lotes da nova cidade para cerca de 20 km do centro da Capital nas vilas Aureny,Taquaralto, Sol Nascente e Santa Barbara. Depois, conjunto Maria Rosa. E os apelidou de "oreia-seca".

Coordenou pessoalmente a organização das barracas de lona que deram lugar à Vila União, ligando o denominado Golfo Pérsico até a zona da Sapolândia. Uma área originalmente destinada a ricos, com lotes maiores que foram redivididos. Mas que pacificou uma guerra social indescritível no início da cidade, com desdobramentos imponderáveis caso não dominada e contida.

Saiu dali, em tese, praticamente um possível candidato eleito a prefeito. O MDB de Moisés o impediu. E optou por Eudoro Pedroza, com muito menor penetração nas classes populares (maioria absoluta dos moradores da cidade), facilitando a vitória do então jovem deputado federal Eduardo Siqueira.

O MDB de Moisés, assim, perdeu a prefeitura para o siqueirismo com tudo nas mãos para ganhar as eleições. E perderia novamente para o siqueirismo dois anos depois, ao não encampar a candidatura de João Cruz (vice de Moisés) ao governo,  o politico mais popular do MDB na época em nível estadual. Moisés sequer subiu no palanque do MDB e Derval de Paiva chegou a defender um chapão com o antípoda e antagonista histórico, por princípio,  do MDB: Siqueira Campos.

Ou seja: para o MDB de então, ser popular não era mérito. Pela lógica, demérito. As derrotas podem ter ensinado alguma coisa. Assim como o desaparecimento de João Cruz e, neste final de semana, de Josino Guerra, que tive a honra de ter como amigo desde o início da cidade e que isto cultivava nas vezes em que ele deixava Minas Gerais para "passar uns dias" por aqui.

 

 

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