A ida do ex-senador Ataídes de Oliveira para o PP, presidido no Estado pela senadora Kátia Abreu, sugere alguns resultados práticos:
- Ataídes entregou de vez o PSDB para Cínthia Ribeiro, desistindo de buscar a Justiça contra a intervenção;
- O endosso da senadora Kátia Abreu à sua pré-candidatura elimina a possibilidade da parlamentar e o PSD do filho, senador Irajá Abreu, subirem no palanque de Cínthia.
- Ataídes terá sido recebido de graça no grupo de Kátia mas pode ir também sem nada. Ainda que prefeitos não precisassem da janela partidária (majoritários podem mudar de partido na hora que bem entenderem sem perder o mandato) os 27 prefeitos do PSDB que tentariam a reeleição ou que tinham seus escolhidos – que em larga maioria eram comandados por Ataídes - não mudaram de legenda. O prazo de seis meses para trocarem de partido (filiação partidária) e irem para o PP venceu com a janela. Seis meses antes das eleições. Ou seja, o PP só levou Ataídes que está sem mandato.
- Kátia ganha reforço no seu projeto de disputar novamente o Senado ou o governo daqui a dois anos quando Mauro Carlesse não poderá ir à reeleição. Ataídes foi um senador de atuação destacada e obteve 170 mil votos na disputa em 2018. E tem estrutura financeira. Não é pouco.
A prefeita Cínthia Ribeiro, portanto, ganhou uma dor de cabeça maior do que poderia ser disputa interna no partido com Ataídes pelo protagonismo no PSDB. Ganhou dois novos adversários além de Ataídes: Kátia e Irajá Abreu no palanque do ex-senador e presidente regional tucano.
Uma jogada de mestre. Mais de Ataídes que de Kátia que ganha com o que lhe acrescenta de musculatura política e ao seu partido, o PP. O ex-senador ganhou uma candidatura e dois partidos relevantes (PP e PSD) a apoiá-lo, de graça, contra sua adversária no PSDB.


