Nos EUA o democrata Joe Biden sai fortalecido das urnas, para prejuízo do direitista Donald Trump, do Republicanos, o queridinho de Jair Bolsonaro.
Na política, como na física, não há vácuo que não atraia matéria. Diferente de 2018, nos EUA e no Brasil, as circunstâncias políticas favorecem projetos esquerdistas. Ou pelo menos alteração de comandos.
Se ganha a democracia com o rodízio de correntes ideológicas, há certamente perdedores no xadrez político. Como há os ganhadores.
No Estado, por exemplo, a derrota de Ronaldo Dimas, Paulo Mourão e Irajá Abreu (para ficar só nos mais expressivos) para Wanderlei Barbosa não pode, pela lógica, representar vitória dos derrotados.
Nem ganhos, por exemplo, aos senadores Eduardo Gomes (carregador de piano de Dimas), Irajá Abreu, Dimas ou da senadora Kátia Abreu derrotada pela vitoriosa Dorinha Seabra que impôs-lhe mais votos. Ou mesmo a Paulo Mourão porque Lula ganhou as eleições presidenciais.
Como ficou claro, o eleitor do Estado repele o PT regional ainda que tenha dado maioria ao partido nas eleições nacionais. Como repeliu Jair Bolsonaro.
Para os políticos (e a política) o que vale é mandato ganho, seja por um único voto. E não derrota por insuficiência de votos.
No Congresso, é provável que o PL de Eduardo Gomes (presidido pelo conhecido Valdemar Costa Neto) se alinhe ao governo do PT circunstancialmente pela governança (e por emendanças).
Mas não será governo como o foi o PL junto com o PP (de Kátia Abreu) no governo Jair Bolsonaro. Muito embora Kátia tenha mantido determinada distância de Jair na inversa medida em que Eduardo Gomes liderou o governo de Bolsonaro no Congresso.
Já a relação de Wanderlei com Lula será governo x governo com maior relevo que relações partidárias ou parlamentares. Ainda que o Republicanos seja, até aqui, considerado da base bolsonarista. Até porque a maioria do Estado votou em Lula.
No Estado, portanto, é muito nítido aquele a quem as urnas delegaram representação. Afinal, toda e qualquer ação pública federal depende, não raro, da vontade política do governo estadual. De convênios e que tais conforme dispõe o estado federado.
Os derrotados podem evidentemente dar a volta por cima. Alguns, como os senadores Eduardo Gomes e Kátia Abreu tem serviços prestados ao Estado e são considerados grandes articuladores políticos não só regionais. Tem uma vasta contribuição não só ao Tocantins, mas ao país.
Mas, em absoluto, esse ativo pode transformar uma derrota circunstancial em vitória política, como derrota que é, ainda que também circunstancial.


