A presidente da Câmara Municipal, Janad Valcari, segue relativizando o absoluto e, pior, tem seguidores nessa sua aposta diária na ignorância dos seus eleitores e da população de modo geral.
Na audiência pública de ontem na Câmara Municipal sobre despesas/receitas da Saúde apresentadas pelo Executivo metropolitano, saiu-se com esta pérola:
"Outro questionamento meu e que eu preciso de resposta, vocês alugaram UTI da cidade, se a cidade já tem, é da cidade, vocês tem que pegar é de fora. Então vocês estão ocupando o que é da cidade, já?".
Nem mesmo líder oficial da oposição, vereador Moisemar Marinho, alinhou-se à líder ex-ofício da bancada oposicionista. Ainda que na presidência da mesa diretora sua função exija protocolos regimentais posto presidir a instituição e não uma bancada ou grupo partidário.
Não por menos. Janad tem, a cada dia, buscado transformar em realidade a personagem de ficção Dona Álvara (Stela Miranda) do humorístico Toma Lá Dá Cá (Globo), da imaginação de Miguel Falabela e Maria Carmem Barbosa.
Dona Álvara era aquela síndica amalucada cuja função diária é importunar duas famílias também amalucadas (Mário Jorge/Celinha-Arnaldo/Rita com filhos também problemáticos num mesmo andar do edifício Jambalaia. Mas ela tinha alguma lógica nas suas maluquices. Na hora H Dona Álvara, no humorístico, queria mesmo era se arranjar.
O problema é que Janad não é síndica e sim presidente de um dos poderes e a Câmara Municipal não é o Jambalaia.
Retirando a síndica do picadeiro, os dados apresentados ontem pela prefeita Cínthia Ribeiro não são demonstrativos de fracassos ou desvios na aplicação dos recursos da saúde. Aplicações referendadas por duas auditorias do SUS.
Não é indicador elucidativo de má administração Palmas ostentar a menor taxa de letalidade do Covid-19 dentre as capitais do país (1,24) ainda que registre uma taxa de incidência de 13.415/100 mil (a 6ª posição).
E com taxa de contágio caindo de 6,8 para 0.68 (abaixo do 1% recomendado pela OMS), indicando acerto nas medidas restritivas e no atendimento aos pacientes. Ou seja, o número de óbitos é desproporcional ao número de contaminados indicando mais acertos que equívocos no tratamento. Números oficiais do Ministério da Saúde.
Do ponto de vista financeiro, tem-se, pelos números, esforço maior da prefeitura. Dos R$ 87 milhões (receitas) destinados à Saúde no quadrimestre, R$ 43 milhões foram recursos próprios, R$ 41 milhões (governo federal) e apenas R$ 3 milhões (Estado).
Se projetarmos os valores para o orçamento anual, a Prefeitura irá investir R$ 125 milhões, o governo federal R$ 92 milhões e o Estado R$ 9,2 milhões na saúde na Capital. Serão, assim, 54% de recursos próprios, 40,3% e 4% do governo estadual,
O balanço demonstra ainda que para aplicação apenas no Covid-19, as receitas este ano foram 79% inferiores que as transferidas para Palmas no ano passado. Desproporcional, portanto, aos números de contaminados e óbitos que recrudesceram, não só em Palmas mas no país, a partir de janeiro deste ano.
Em Palmas, o maior pico foi na semana de 14 a 21 de março deste ano (2.111 novos casos) contra o último maior em agosto do ano passado (de 9 a 15) com 1.929 contaminados. E na Capital, 50% dos atendimentos são de pacientes de outros municípios. Tudo constante do Relatório de ontem.
Mas Janad ocupa-se, como Dona Álvara, de preços de testes já referendados pelo Tribunal de Contas e Tribunal de Justiça do Estado. E quer saber como é que a prefeitura alugou UTI na cidade porque acha que não precisaria já que pela lógica ilógica do condomínio, a cidade já os teria. Ainda que o privado não fosse público.


