A montanha pariu um rato. Os vereadores da Capital devem aprovar hoje o Projeto de Lei 03/2021 que trata da aquisição de vacinas, encaminhado pela prefeita Cínthia Ribeiro. Na verdade, tudo indica fazer Janad e seus gestos parte de um movimento maior liderado por deputados governistas no Legislativo e o grupo do ex-prefeito Carlos Amastha, derrotados em 2020 mas interessados, a dois anos das eleições estaduais, no ativo eleitoral palmense. Não estão importando com morte pelo Covid-19. A pandemia seria uma oportunidade política para fragilizar adversários.
A presidente da Câmara, Janad Valcari, atendida nas suas exigências burocráticas, ainda esboçou dificuldades lembrando prazos regimentais. Se tivesse observado o Diário Oficial do município da sexta-feira veria que a prefeitura pedia autorização para assinar um protocolo de intenções junto com mais de 1.700 prefeituras do país cuja finalidade era a formação de um consórcio. Nesta segunda já passa dos 2 mil os municípios, sendo 25 capitais. O consórcio deverá ser oficializado no dia 22.
Do Estado, são seis cidades. Araguaína é uma delas e não se viu por lá reação semelhante à ocorrida na Capital. O consórcio é genérico. Números de vacinas (quantidade) e preço são subordinados à legislação federal já existente.que, inclusive, dispensa licitações no estado de calamidade decretado.
Janad, na verdade, se movimentou de novo fora da curva. E colherá outra derrota nessa sua nítida frente contra a Chefe do Executivo que a faz agir às cegas no trato político, regimento e Lei Orgânica.
As sete comissões da Câmara são controladas por aliados de Cínthia. Uns circunstanciais mas outros por conexões partidárias. E ir contra aquisição de vacinas quando elas faltam é um despropósito tanto humanitário quanto político.
A argumentação de Janad nas redes sociais de que Cínthia não a tivesse contactado informando sobre a medida, é revelador do ânimo da vereadora, bem posto na sua linguagem desrespeitosa à liturgia do cargo e à prefeita que, quer queira ou não, foi eleita com 36,23% dos votos válidos para administrar uma cidade de 306 mil moradores.
Ademais, Chefe de Executivo não pode ficar alcançando Chefe do Legislativo para informar os projetos que encaminha. Poderia conotar uma interferência no poder. Justamente por isto o Executivo tem o seu líder no Legislativo. Nem Jair Bolsonaro (que parece ser o mentor do pensamento janadiano) faria igual.
Se deixar, Janad cassa também o cargo dos líderes partidários.


