Os números divulgados pela Secretaria de Turismo e Cultura na sexta reforçam a percepção que a região do Jalapão continua sendo um destino muito caro, apenas um pequeno grupo de empreendedores ganham com a reserva e que apenas uma minoria de tocantinenses tem acesso aos tais encantos do lugar.
O governo Wanderlei, entre uma administração e outra, tem menos de um ano e meio. É muito tempo para alguns e pouco para colocar na prática qualquer plano de desenvolvimento que se tivesse encetado O ponto positivo é que, ainda assim, 70% dos visitantes saem satisfeitos.
Pelos números divulgados pelo governo (pesquisados pelo Observatório do Turismo/do próprio governo) 99,5% dos visitantes do parque do Jalapão no ano passado eram estrangeiros. Outro dado relevante: 73% alcançaram-no por agências de turismo com gasto médio de R$ 4 mil.
Se compararmos com os números do mesmo Observatório em 2020, tem-se uma ligeira curva. Lá, 23,5% dos visitantes tinham uma renda média mensal de mais de 10 salários mínimos. Um indicativo que não é irrelevante.
Mas atenção: não confundir gasto médio com renda média, ainda que o primeiro tenha relação, a priori, com o segundo. Na pesquisa de 2022 (dois anos depois) publicada, essa renda média não é disponível.
Os números disponíveis no Observatório, entretanto, dão conta de que em julho de 2022 apenas 7,8% dos visitantes eram do Tocantins.
É um indicador inferior aos 9,7% de tocantinenses que visitaram o Jalapão em 2020 (dado do mesmo Observatório) e aos 8% encontrados pelo Banco Mundial no mesmo ano. O restante se dividia entre São Paulo (30%), Rio de Janeiro (19,9%), Minas Gerais (9,6%) e Paraná (9,55%).
Outra constatação relevante do Observatório: no ano passado 44 mil e 871 pessoas visitaram o Jalapão conforme pesquisa (o número contrasta com os 47 mil divulgados pelo Naturatins no mesmo período). Mesmo assim, o número é menor do que os 58 mil e 644 que ali estiveram em 2021, em plena crise do Covid-19.
Ou seja, passada a pandemia, o número de turistas caiu 24% na contramão do sentido lógico. Ainda que se possa adicionar à equação a inflação até a metade do ano de 2022 que poderia ser compensada com a redução dos preços dos combustíveis na segunda metade do ano.
Situando os números das pesquisas, colocando-os num quatro sinótico com os mais de R$ 100 milhões anuais de faturamento das agências, o avanço dos lixões e da pobreza perene do lugar, é situação que deve estar ocupando a Secretaria de Turismo e deveria pressionar o governo a dotar a região de investimentos, sejam públicos ou privados, para reduzir a propaganda negativa dos dados estatísticos que se promove para levar uma mensagem justamente contrária.


