Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Jair vai às ruas com apoiadores para esclarecer que a "vovozinha" é que queria comer o "lobo". E com as orações de um bispo para abençoar a estória surreal

26/02/2024 548 visualizações

A diferença entre a contagem de público bolsonarista (750 mil pessoas/SSP/SP) e os números da USP (185 mil) presente no ato convocado por Jair Bolsonaro/Silas Malafaia diz bem do que estaria em curso. Permitido justamente pela democracia.

Sim, um pastor que se alimenta dos fiéis, cuja igreja deve milhões ao erário e seus líderes remunerados brigam para não pagar imposto pelo que recebem do dízimo, foi o comandante da manifestação política.

A distorção da realidade é algo imponderável. Milhares de pessoas nas ruas numa interpretação própria da narrativa elaborada pelo bolsonarismo.

Não se pode contestar o direito de manifestação democrática. Pode-se manifestar até a favor ou contra o jiló. Desde que não se faça apologia a crimes.

No Brasil uma presidente (Dilma Roussef) sofreu um impeachment político. Muito claro. Milhares de pessoas foram às ruas (até na mesma Avenida Paulista) pedindo seu impedimento. Foi retirada do cargo, entretanto, pelo Congresso porque não aceitou negociar com Eduardo Cunha, o então capo da Câmara dos Deputados. 

Não se comprovou um desvio sequer da ex-presidente para o crime de responsabilidade que lhe foi atribuido (nas tais pedaladas). O expediente de que fez uso fora utilizado por todos os ex-mandatários do país. Tanto que o Tribunal Regional Federal arquivou o processo contra Dilma por tais pedaladas. Mas cumpriu-se a constituição quanto à competência do Congresso.

No caso de Jair Bolsonaro o processo não é político. Não depende da vontade política do Congresso. É um processo criminal. Como aquele que levou Lula a amargar quase dois anos na cadeia. Sem manifestações públicas dos petistas.

Recorreu na Justiça e retornou presidente com eleição democrática que o Jair parece não aceitar. Assim como os bolsonaristas. De outro modo: só haveria democracia quando os beneficiasse. Isto tem nome: ditadura.

E o que os manifestantes (minoria no país) tentam convencer a maioria é que não houve o 7 de setembro (23); 12 de dezembro (2023) e o 8 de Janeiro (24). Uma ficção. Assim como os acampamentos nos quartéis e a bomba preparada para explodir no aeroporto de Brasília.

Pretendem que a população esqueça ou deixe de lado que Jair Bolsonaro gastou todo seu tempo na presidência preparando um golpe não só internamente, mais verbalizando em atos públicos. Não só no cercadinho de todos os dias.

E o que dizer das rachadinhas, das jóias, dos depósitos no exterior, da minuta do golpe e daquela gravação da reunião preparatória para um golpe? E as provas que se amontoam nos depoimentos à PF?

Ou seja, a questão não é política, mas técnica. Jair e os bolsonaristas (uma penca de coronéis do Exército) tem que se defender é na Justiça.

Se forem inocentados, vida que segue. Mas até lá Jair é investigado acusado de vários crimes. Dentre eles, a ruptura da democracia, com provas cabais.

E ditaduras só são favoráveis a ditadores, claro. E eles, caso a tentativa de golpe se concretizasse em golpe, comandariam o Estado brasileiro sem resistência como se viu na ditadura dos militares do golpe de 64 defendido por Jair e seus asseclas.

Como é óbvio, depois do golpe não haveria mais investigação do crime pela expropriação do Estado. Deve-se a isto a punição da tentativa.

Mas eles não estão nem aí.

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