Ainda que protagonistas, coadjuvantes e antagonistas o neguem, Wanderlei Barbosa inicia novo governo com a sucessão colocada. E, portanto, sujeito aos atritos e desgastes que a estratégia, por lógica, atrai.
Ao não vetar, se não por inconstitucionalidade, mas por previsível risco político, a EC da dupla eleição na mesa diretora do Legislativo, Wanderlei acenou com o seu consentimento a Leo Barbosa para sucedê-lo no cargo, no afastamento, e, assim, uma reeleição.
E, claro, abriu possibilidade para um vácuo político no governo eleito. As pessoas tendem a buscar naquele que veem como o futuro, possibilidades do presente que, como presente, não precisa de apoio para o cargo. Uma espécie de venda casada futura.
Há outras variantes que deveriam ser contornadas, mas o mais difícil já estaria debelado: o controle do Legislativo nas duas ultimas sessões legislativas do atual mandato. O resto é só conformação de apoios políticos.
De outro modo: a antecipação de Leo Barbosa no governo em 2026 pode mais prejudicar do que ajudar. Ainda que se tivesse nele, desde sempre, a mesma possibilidade e legitimidade para postulá-la, materializá-la agora pode não ter boa aceitação nos eleitores, do mesmo modo que qualquer ação do Governador será conectada ao projeto do filho.
Em paralelo a essa movimentação, a prefeita Cinthia Ribeiro se ocupa da administração, mas com um olho no Palácio Araguaia. Suas ações tem demonstrado firmeza e força política. Vai ficar dois anos sem mandato porque não pode reeleger-se no que pode sair prejudicada. Mas é uma força política inconteste.
Os demais prefeitos não a alcançam no desempenho e no governo, retirando Leo Barbosa, não se vê, por enquanto, um nome capaz de suceder Wanderlei que deve convencer a população e os partidos da validade de uma chapa majoritária com pai e filho nos cargos de governador e senador.
O governador terá ainda, é possível deduzir, que conversar com Eduardo Gomes (que tem projetos para governo), que se reaproxima do Palácio. Gomes (cujo mandato de senador se encerra em 2026 quando duas vagas serão disputadas) se afastou de Cínthia Ribeiro que é aliada, até aqui, de Wanderlei.
O vice André Gomes (irmão do Senador) diferente da prefeita pode disputar a prefeitura em 2024 e ser cabo eleitoral de Leo em 2026. Isto porque, ainda que Cínthia tenha seu candidato, há outros opositores à prefeita e André como o ex-prefeito Carlos Amastha e a própria deputada eleita Janad Valcari, aliada do governo.
Já imaginou uma disputa entre Cínthia Ribeiro e Leo Barbosa pelo governo? Ainda tem quatro anos, mas hoje não há maior possibilidade ou probabilidade no horizonte político estadual.


