Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Irresponsabilidade governamental e negligência médica assassinaram ontem mais um no HGP: Dona Gisélia, do Paulista. Foram escandalosas 7.558 mortes no sistema de saúde pública do Estado em 3 anos apesar dos R$ 5 bilhões orçamentários!!!

luizarmandocosta 05/04/2019 1535 visualizações

Há um axioma filosófico que reflete haver um cemitério de mortos na alma de um médico. Isto era quando a morte seria considerada uma incompetência ou impotência da medicina. Hoje pode-se adicionar ao grupo de carregadores de óbitos na consciência, os gestores públicos.

Há mortes onde médicos e gestores talvez sintam-se como honrados guerreiros derrotados. Há honra na morte. Seja quando se é dela agente ou dela se é paciente. Noutros, carregam o peso da ética da morte assassina. Uma morte sem honra!!!

Dona Gisélia tinha 52 anos. Entrou no HGP caminhando e com dores no abdomem. Os exames (tenho cópias) registravam fígado, pâncreas, coração, rins normais, sem problemas com diabetes, exames sem identificar linfomas ou coisa do gênero. Seu coração foi o último a parar suas atividades às 20h40 da noite de ontem já com infecção generalizada.

O corpo de Gisélia está sendo velado no salão de uma funerária próximo do terminal rodoviário de Palmas e agora sua família (que passou a vida inteira lutando para sobreviver com a venda de espetinhos e pagando impostos municipais e estaduais) luta para conseguir sepultá-lo no cemitério público municipal metropolitano.

Depois de uma dengue, sentiu a primeira dor. Foi ao hospital no sábado, mandada de volta para casa. A dor continuou, voltou ao HGP na segunda. De novo o médico a mandou para a casa.  Na terça entrou caminhando no HGP e horas mais tarde estava paralisada da cintura para baixo. Depois de uma semana, os médicos palpitaram: síndrome de Guillain-Barré (SGB). Diagnóstico até ontem não confirmado nos exames!! E tascaram doses de remédio!! E depois a deixaram para morrer!! Por palpites!!!

Dona Gisélia (de minha convivência diária nos últimos 20 anos, como de muita gente que comeu do seu espetinho no bar do companheiro Paulista) lutava para viver e seu coração resistiu até o último suspiro como a gritar por socorro médico que não teve nos cerca de 20 dias internada no HGP, mendigando um neuro-cirurgião (ainda que lutasse com seus espetinhos na beira do fogo e de bêbados até altas horas da noite, todos os dias da semana, de domingo a domingo, para pagar-lhes o salário e a boa vida) que não veio na hora adequada, um diagnóstico correto e um prognóstico ou uma profilaxia que pudesse preservar sua vida.

Dona Giselia é mais uma das 7.558 vítimas da irresponsabilidade governamental e negligência médica registrados pelo SUS no sistema de saúde pública do Estado nos últimos três anos (de janeiro de 2016 a janeiro de 2019). Um número de tragédia de guerra!!

Isto com deputados e governos gastando o equivalente a R$ 5 bilhões no sistema de saúde pública do Estado no últimos três anos.!!! Um valor equivalente a R$ 3 mil e 200 para cada um dos 1, 550 milhão de habitantes do Estado. Um dos maiores gastos per capita de saúde entre todos os 27 Estados brasileiros.

 

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