Sábado, 24 de Out de 2026

Irajá volta com guerra contra Wanderlei. Sua base argumentativa, no entanto, se assemelha a uma carga da brigada ligeira: não há nenhuma razão / só há que agir e morrer

19/01/2023 1187 visualizações

O senador Irajá Abreu reiniciou seu projeto pelo Palácio Araguaia decorridos menos de quatro meses de disputar o governo e de ser o responsável direto pela derrota na mãe, senadora Kátia Abreu, em sua reeleição. Eleição em que obteve para governador a quarta votação com 7,6% dos votos contra os 58,14% de Wanderlei.

Criticou o Senador ontem, no twitter, o governador Wanderlei Barbosa por criar uma secretaria e nomear a irmã, Berenice Barbosa, para o cargo. Deu de banda para a Súmula Vinculante nº 13 do STF que tem conhecimento (ou deveria tê-lo) como Senador da República. E que o governo só teria quatro mulheres em cargos na administração direta e indireta.

Questionou, ainda, Irajá se seria preconceito ou falta de confiança de Wanderlei Barbosa com as mulheres. E que o governo teria iniciado 2023 com 46 secretarias e autarquias.

Caros. O governo tem equívocos administrativos e Wanderlei parece querer equilibrar-se, em alguns aspectos, não raro despido de reflexões e ponderações que talvez reduzissem os riscos de suas movimentações políticas.

Faltam-lhe projetos de desenvolvimento, priorizando a raia miúda, estimulando as mesmas ações (inclusive com empresários) que empurraram o Estado para o buraco. Um paraíso de isenções fiscais sem contrapartida comprovada. Eu os aponto aqui dia sim, outro também.

Do ponto de vista administrativo, entretanto, a execução orçamentária fala por si. Disponibilidade de Caixa elevada, Capag B, fora do Cauc, gasta menos do que arrecada e o governo não está paralisado.

É o melhor governo, sob aspectos fiscais, dos últimos 30 anos. Pode falhar pela frente? Pode. Mas mantida a inércia, não há comparação. Não sou eu quem o diz. E sim os números e a Secretaria do Tesouro Nacional. Apenas os avalio.

Daí críticas como a de Irajá (ainda que legítimas vindas de um parlamentar), da forma  como o faz e argumenta, fundamentando-se numa base argumentativa falaciosa, comparadas aos números da administração (finalidade de um governo) soam certo modo descabidas.

E por tal sujeitas ao escrutínio impulsionado pelo próprio Irajá: preconceito, na caso do sujeito e objeto do foco do Senador, por Wanderlei ser negro, ter origem pobre, ser natural do vão do Taquaruçu e ter derrotado as elites que dominavam o Estado por três décadas.

Diferente do que publica o Senador, Wanderlei inicia 2023 com 26 secretarias e 17 autarquias. Contra 24 secretarias (uma desmembrada e outra criada) e 16 autarquias do ano passado justamente para adequar-se ao governo federal: Mulher e dos Povos Originários.

Quer ver o paradoxo e a contradição do Senador do PSD? O governo Siqueira Campos em que Irajá foi Secretário (e deputado federal aliado) iniciou 2011 com 48 secretarias e autarquias. Destas apenas quatro mulheres. Irajá não disse nada. Cinco a mais do que as 43 de hoje (secretarias e autarquias). Uma dúzia de anos depois. Diferente de cá, na avaliação do Senador, lá a máquina  não era "inchada".

Em 2011 (lá no governo Siqueira/Irajá), o Estado tinha 1,3 milhão de habitantes e tem hoje 1,6 milhão de pessoas. Já o PIB passou de R$ 16 bilhões para os atuais R$ 43 bilhões. Ou seja, a população aumentou 23% em 12 anos e a economia cresceu 62% no período!!! Tem-se aí duas conclusões que se aproximam de apenas uma: ou Siqueira/Irajá tinham mais secretarias do que o necessário ou Wanderlei tem de menos.

O governo Jair Bolsonaro (de cuja família Irajá era anfitrião em Palmas) governou com 23 ministérios, apenas três mulheres. Lula, de quem Irajá agora se aproxima, vai governador com 37 ministérios, 60% a mais do que Bolsonaro e 11 mulheres na Esplanada.

E Irajá, mais uma vez, não disse nada. Preferiu atravessar o rio Manoel Alves e vir pisar na casca de banana na Praça dos Girassóis. Em conexão direta de Brasília (DF) onde gasta, voluntariamente ou não, sua maior parte dos dias.

Ou seja, declara abertamente, com quatro anos de antecedência, sua vontade política de ser contra Wanderlei, que não pode mais se candidatar ao governo, posicionando-se, por mera lógica e falta de sentido lógico de sua retórica, contra os 58% dos eleitores que escolheram Wanderlei e não a ele.

O Senador Irajá Abreu tem futuro. Mas é necessário ao político equalizar egocentrismo, vaidades com verdades. Do contrário, a falta de precisão e prudência pode contaminar seu legítimo projeto de governar o Estado.

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