O senador Irajá Abreu, candidato ao governo, parece buscar a justa medida eleitoral, subvertendo a insuficiência matemática, moral é ética, contradizendo, sem apresentar razões que o justifique, suas próprias proposições.
Esta foto aí é de março deste ano quando Irajá apoiava um governo que hoje, nas suas próprias palavras (programa eleitoral de ontem) pergunta se o eleitor confiaria em “alguém” que estava junto “com o governador que renunciou para não ser cassado”.
Ou se “você colocaria a mão no fogo por alguém que poucos acreditam que irá terminar o mandato se for eleito?”. É de se perguntar o que teria feito Irajá dedicar total confiança em Wanderlei desde sua posse. Wanderlei é governador há dez meses. E foi eleito duas vezes com Mauro Carlesse em 2018 contra os candidatos de Irajá.
E coisas do tipo: “não dá de ficar indiferente a todo esse prejuízo que sofremos com esses 15 anos de mandatos tampão” (sic). A lembrança de Fernando Collor de Melo (o caçador de marajás cassado) ou da família Bolsonaro (que hospeda) é instantânea.
Na semana passada Irajá proclamou que o dinheiro do programa Tocando em frente (do Executivo) é de toda a população. Como faz campanha esgrimindo suas emendas para o Estado, o recurso federal seria de seu bolso. E não do mesmo contribuinte.
Irajá (como qualquer um) tem direito de rever posições. Mas como é pago pelo distinto público para tomar decisões em seu favor (e não em benefício de projeto próprio), deveria apresentar a seus eleitores razões que o fizeram, em cinco meses, inverter suas avaliações sobre legitimidade, credibilidade e desempenho de governo.
A estratégia, certo modo mais honesta com o candidato do que com o eleitor, tem, obviamente, a finalidade de convocar Wanderlei ao ringue, onde o governador demonstra maior passionalidade e menor técnica que Irajá, considerado um político frio e calculista. Se Wanderlei teria reações mais parecidas com a maioria das pessoas do Estado, Irajá se apresentaria como o "preparado" em outras linguagens.
De outro modo: acima do povão comum seria um melhor governante. O inverso de Lula, por exemplo. O reverso de Collor visto pelas lentes da modernidade da plutocracia na administração do sertanejo que seus movimentos e condutas sugerem de forma inequívoca.
Irajá joga com o fato de que Wanderlei não puxaria o fio do novelo político do senador do PSD que foi capaz de trair a própria mãe, arriscando a reeleição de Kátia Abreu, em benefício do seu projeto. A armadilha faz Irajá criar coragem e ignorar que os adversários poderiam reavivar, na defensiva à ofensiva pessedista, a memória coletiva de suas peripécias nos últimos anos.
O desempenho do governo (conforme a STN) está dentro da LRF. Arrecada mais do que gasta, reduziu para 39,14% da RCL as despesas de pessoal e é um dos governadores melhor avaliados do país (IPEC). E elevou a Capag para Letra B.
O Senador do PSD, entretanto, só enxerga as pesquisas onde na última (Vetor Fieto/1° de setembro) tinha 5% contra 38% de Wanderlei Barbosa a um mês das eleições. E na última IPEC/Globo registrava 8% contra 40% de Wanderlei.
O governador assim seria como uma escada de Irajá para vencer Dimas (com 17%/IPEC e 15%/Vetor Fieto) e disputar com Wanderlei o segundo turno. É o ou tudo ou nada. Pode dar nada. Da mesma forma que o anúncio negado de apoios de prefeitos.


