O senador Irajá Abreu (que comanda convenção do PSD nesta sexta) disse ontem na convenção do PT (de Paulo Mourão) – deixando-se fotografar com as mãos sob as de Paulo Mourão e do ex-governador do Piauí, eminência petista nacional, Welington Dias (um sinal clássico de união) – que estava com Osires Damaso, ainda que na mesma entrevista confirmasse que estava mantida a sua (dele, Irajá) disposição de disputar o governo na convenção de hoje.
Entenda o que você eleitor quiser entender. Para degustar o jogo de Irajá não sendo um bovino, basta imaginar Ronaldo Dimas na convenção de Wanderlei Barbosa, lá no Centro de Convenções nesta sexta dando-lhe um abraço e apertando-lhe as mãos com votos de vitória.
Seria, por certo, mais plausível ou palatável, por gravidade do pêndulo bolsonarista, do que o amarelo-verde-laranja (criado pelo ditador Getúiio Vargas lá em 45) plantado no amálgama vermelhão.de cinco pontas do PT.
Mas se até Prestes (o líder do PCB) - e paradoxalmente idolatrado (com pouca contestação) - pela narrrativa siqueirista (genese de um dos grupos bolsonarissta na disuta), tomava chimarrão com o caudílho da ditadura do Estado Novo....
Ou Paulo Mourão deslocar-se hoje ao Espaço Cultural José Gomes Sobrinho para um alô à candidatura do bolsonarista Ronaldo Dimas e discursar aos convencionais, ao lado do líder do Presidente no Congresso, senador Eduardo Gomes, gritando Lula Livre.
Conclusão óbvia: Irajá não irá disputar cargo algum, pode-se deduzir, ( e isto depois de embates familiares mesmo como se dá em qualquer grupo familiar político) para não prejudicar a campanha de reeleição da mãe senadora Kátia Abreu (só há um cargo em disputa e Irajá está na metade do seu mandato de senador) que umbilicalmente sempre apoiou.
Não só por razão filial, mas pelos 50 prefeitos que a parlamentar reuniu ontem numa convenção sem candidato ao governo, os 282 mil votos para senadora (2014).E sua ligação (dela, Kátia) com os dois ex-presidentes petistas, Dilma e Lula que intenções de voto estariam indicando baterá Bolsonaro.
E, ademais, não haveria outro cargo na majoritária que o interessasse (a Irajá), claro, e sozinho com apenas o nanico PRTB não iria muito longe na disputa majoritária. Posto isto, liberaria Irajá seu fundo eleitoral, tempo de propaganda, prefeitos e militância pessedista para o PT.
Raciocínio facilmente elaborado pela indisposição de Irajá de fazer com Dimas o símbolo que desenhou ontem com Paulo Mourão. Já que a convenção do PL se dá nesta sexta no mesmo dia da convenção do PSD mas a cerca de previsíveis e conhecidos 600 km de distância uma da outra.
Irajá tomar qualquer outra decisão e até manter sua candidatura ao governo. Mas não escapará de ser tomado como indiferente à razão e ao estado de coisas. E aí a discussão já seria outra.


