Lavandeira é o quarto menor colégio eleitoral do Estado (1.772 eleitores). Só ganha de Ipueiras (1.688), Crixás (1.599) e Oliveira de Fátima (1.587). É um pequeno município do Sudeste a meio caminho de Aurora e Combinado. Dista 38 km de Aurora, 5km em linha reta, já próximo da divisa com Goiás.
É o quinto município mais pobre do Estado. A população pode se orgulhar de não ser o mais pobre, mas o pibinho de R$ 20 milhoes anuais deveria envergonhar o governo cuja capital tem um PIB de R$ 10 bilhões. E os empresários e políticos se orgulhem do PIB estadual de R$ 40 bilhões, revelador da histórica (e intratável) concentração de renda, um dos pontos que os políticos prometem ciclicamente combater de quatro em quatro anos. E a distorção só aumenta.
Mas pode Lavandeira figurar, em potencial, para Irajá, como a Jataí ( da história de JK e DF no cerradão) – guardadas as devidas proporções – caso o PSD (partido que elegeu o maior número de prefeitos no Estado em 2020), detentor de um dos maiores fundos eleitorais do país (R$ 347 milhões) faça opção na próxima sexta por referendar uma candidatura do senador Irajá Abreu ao governo.
Não haveria, por certo, razões lógicas para a escolha de movimento, tempo e lugar, que não afetivas. Não se os sabe, existirem outras. Mas haveria, por outro lado, determinado sentido tático e estrategico a dar fundamento ao determinismo de Irajá, confrontando o idealismo histórico daqueles que se movimentam na mesma corrente político-filosófica.
O lançamento de uma candidatura ao governo em Lavandeira (mais longe de Palmas/492km que de Brasília/453km) dificultaria amplificação das resistências à tática, com implicações diretas e imediatas em uma suposta estratégia. Longe da confusão que certamente acenderia. Divide votos e confiança entre pares. Pode imprimir uma espécie de dejetos para todo lado até entendimento, compreensão e reação racional.
O edital publicado pelo PSD chama convenção para a próxima sexta-feira com finalidade de escolher candidatos a governo, senador, vice, suplentes e deputados federais/estaduais. A movimentação das gráficas e dos marqueteiro indica, de forma indiscutível, preparativos para lançamento de Irajá ao governo.
O Senador disse ao blog nesta terça, entretanto, que os políticos e as mídias é que estão retirando-o do banco para jogar e realçou que se dedicaria a conversações por acordos e estaria na reserva.
A metáfora dispensa maiores raciocínios. Escalados no banco de reserva podem entrar em campo a qualquer momento da partida. Diferente daquele que não seria chamado para compor o banco, negado pela afirmativa de reserva que seria, confessada por Irajá.
Nos vestiários o impulso das peças gráficas que se elaboram e a corrida dos marqueteiros e aliados mais próximos (como apurou o blog nesta manhã) levam, no entanto, Irajá do banco à condição de atacante titular pelo PSD. E que se note: o senador poderia simplesmente dizer que não fora convocado nem para o banco, estando, portanto, fora do jogo.
Posição, evidentemente, que não eliminaria uma posterior negociação de ir para o banco em favor da entrada de novo titular. Afinal, o prazo para registro de candidaturas vai até 15 de agosto. E Irajá (como o também senador Eduardo Gomes) seguem a cavaleiro por terem mandato de oito anos no Senado.
A ver.


