Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Irajá faz do isolacionismo estratégia eleitoral misturando interesses públicos com finalidades partidárias, apostando no confronto com Palácio a três anos das eleições estaduais

13/10/2023 730 visualizações

O senador Irajá Abreu indica apostar que esteja reservado ao governador Wanderlei Barbosa igual destino dos ex-governadores Marcelo Miranda e Mauro Carlesse.

Obviamente já se sabe o que ocorre com interrupções de governos no Tocantins e a que o expediente favoreceria.

Muito embora a prioridade do eleitor seja o governo eleito e não o candidato eleito. Do contrário não lhe seria facultado o direito de retirá-lo do cargo pelo voto.

É uma aposta, a priori, de risco talvez calculado. Irajá é movido a cálculos e deve ter seus fundamentos para fazer a escolha. Seja pela falta de opção ou justamente por ser esta, em larga medida política, a única que enxergaria no horizonte a esta altura do calendário eleitoral.

A primeira vista, uma escolha legítima do ponto de vista principial partidário. Na eleição para governador Irajá disputou votos no ao passado contra o próprio Wanderlei.

Na terça, Irajá novamente não compareceu à reunião de bancada com o ministro Alexandre Padilha para acertos sobre as emendas individuais e de bancada no Orçamento Geral da União para o Estado. 

Já tinha deixado de comparecer às duas sessões comemorativas do aniversário do Estado na Câmara e Senado. Nos três casos, trocou a função de Senador e representante da população de um Estado pelo papel de candidato antecipado.

Com o novo arcabouço aprovado pelo Congresso (e LDO da União/2024) estão reservados no Orçamento Geral da União R$ 25 bilhões para as emendas de bancadas e R$ 12,5 bilhões para emendas individuais.

Significa para os onze deputados e senadores do Tocantins terão R$ 462 milhões de emendas individuais e outros R$ 462 milhões de emendas de bancada.se tomarmos como régua 27 bancadas estaduais, numa conta superficial, o motivo da reunião ministerial. Ou seja: algo próximo de R$ 1 bilhão.

A ausência do Senador do PSD na reunião com o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais e que acerta sobre as emendas) depõe que Irajá prefira continuar a fazer uso da prerrogativa parlamentar para mandar os recursos constitucionais diretamente aos municípios em desfavor de um planejamento estadual, formado a partir de consultas municipais no PPA.

Opta por direcionar, em tese, recursos para quadras esportivas, tratores, shows e asfalto “furreca” nas ruas, atendendo, via de regra, prefeitos e suas construtoras, quando a população seria carente de água tratada, esgoto, escolas, postinhos de saúde. E até de acesso por rodovias como há ainda de uma dezena de cidades.

A prerrogativa de mandar os recursos diretamente aos prefeitos, ainda que legal, tem, como resta evidente, mais desvantagem do que vantagem.

A maioria das prefeituras tem dificuldade com projetos e a contratação direta pelo prefeito, não raro, sofre efeito da precária fiscalização da aplicação do recurso. Os escandalos das emendas do relator ainda estão por aí

Essa opção, como revela a maioria da bancada agora, pode ser invertida: deputados e senadores encaminhariam os recursos ao governo que por seu turno enquadraria os recursos  no planejamento estadual.

O cerne da vontade política da  maioria da bancada que, agora, reconheceu a importancia de cumprir um planejamento estadual e o formalizou de modo pragmático informando-o ao ministro que libera as emendas.

E muda o vetor de aplicação. De 2022  a 2023 (dados atualizados até 5 de outubro de 2023), o Estado (governo) recebeu de emendas individuais e de bancada o valor de R$ 129 milhões. Destes, R$ 123 milhões da bancada e R$ 5,7 milhões de emendas individuais

Já os municípios ficaram com R$ 584 milhões no mesmo período. Sendo R$ 489 milhões de emendas individuais e apenas R$ 95 milhões de emendas de bancada.

Um exemplo claro do fim buscado pelos parlamentares. No caso de Irajá, um isolacionismo até burro. Wanderlei tem se aproximado de Lula e manteve relacionamento institucional com Jair Bolsonaro que pediu votos para Ronaldo Dimas.

Se permanecer o dualismo político de hoje em 2026, Bolsonaro terá novamente candidato no Estado. E aí um ambiente estreito para Irajá viabilizar a sua candidatura.

Isolado, será mais difícil ainda.

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