Os vereadores de Palmas que enterraram a CPI que investigaria esse escândalo da BRK deitaram falação contra a prefeita Cínthia Ribeiro esta semana.
Seria apenas cinismo, por exemplo, o vereador Rogério Freitas (que foi preso na Operação Jogo Limpo) apontar corrupção da prefeita (sem prova alguma).
Os vereadores foram à tribuna disparando contra Cínthia porque a prefeita teria negado o Ginásio Ayrton Senna para um evento evangélico, comandado pelo PL.
Na pressa de obterem ativos eleitorais para o PL e UB, os vereadores esqueceram de verificar os motivos da recusa:o espaço já estava reservado pelo governo do Estado para a Agrotins. Ou seja, erraram o alvo. Mas ir contra o governo não pega muito bem para muitos.
Confrontados, na mesma sessão legislativa, com a agenda do governo, não se fizeram de rogados: o governo não iria contra o Comadec!!!
Óbvio que o governo (e ninguém que respeitasse a democracia e as religiões que os evangélicos não respeitam) não iria contra o Comandec, mas o governo pediu agenda à prefeitura primeiro. A prefeitura não dispunha mais de agenda.
Os evangélicos comeram mosca de tão acostumados a ter o poder público como um puxadinho das Igrejas como o faz a maioria dos vereadores.
Obviamente que vereadores responsáveis deveriam primeiro verificar as causas para falar das consequências. É provável que, como fazem-no comumente, tenham pouco se importado com questões públicas pelo que são muito bem pagos. E assumido como ponta de lança de interesses privados como o fizeram com a CPI da BRK.
Ou o vereador Nego (que entregou a CPI da BRK à BRK) profetizar (com a leveza democrática de sempre dos evangélicos) que Cínthia “sentirá” o peso do “Deus vivo” por não disponibilizar espaço público para os evangélicos pré-candidatos do PL façam uso de evento religioso para proselitismo político. “Deus não deixa de graça”, disse o também vereador Rubens Uchoa (UB).
A estratégia dos vereadores do PL e do UB (que tem como pré-candidata a deputada Janad Valcari) não tem pé nem cabeça, mas não é burra. A contrariedade à decisão administrativa (que deve ter suas razões técnicas) é levada à régua religiosa.
Os vereadores do PL e do UB expeliram que Cínthia e o marido, deputado Eduardo Mantoan, não são evangélicos. “Mente que é crente mas gosta da Manu Bathidão” cometeu a vereadora Laudeci Coimbra.
E que Cínthia sentiria o troco nas urnas. Expondo que os evangélicos na Capital seriam mais de 50% da população.
Um uso inadequado da religião e uma desinformação: pelo IBGE os evangélicos (de todas as correntes) são 30,76% da população. Os católicos são 56.4%. Mas não é nada.
O outro (Eduardo) mente que é pastor, apontou Nego. Uchoa foi mais longe: Cínthia atrapalhou a gestão de Janad na presidência da Câmara!!! Imagina!!!!
Como é óbvio, Cínthia não é candidata e não declarou ainda apoio a nenhum pré-candidato. Os vereadores assim combateriam não o que ela não fez, mas o que ela teria feito. E que pode transferir a um candidato.
Ao criticá-la na pessoa, não enxergam que podem estar cometendo um equívoco como a Santa Inquisição com Joana Darc.
E para tanto acomodam na sua estratégia a questão religiosa. Só faltou os parlamentares iniciarem movimento das igrejas para “queimarem” na fogueira a prefeita. Ou submetê-la à regra assassina de Moisés insuflando a turba a jogá-la no fogo do inferno.
Cereja do bolo: exceção de Nego (que era suplente) todos os vereadores que mudaram de partido na Câmara, antes aliados e agora apontam o dedo para Cínthia, são parlamentares no Legislativo há quase duas décadas.
Um deles, Juscelino, já tem três décadas de mandato. Mas só agora decidiram se posicionar contra a prefeita ou um prefeito.


