Os funcionários entraram na narrativa política de que o governo se preocupa com as categorias. É verdade. Não é coisa de opinião, mas fato.
O gatilho de agora seria a elevação da contribuição patronal em benefício de aposentadorias e pensões. Sem mexer na contribuição do servidor.
É uma estória, em larga medida, para solidificar o apoio político dos servidores à gestão política do Governo e propalada por seu núcleo político.
Administração de ativos e passivos. Mas políticos. Em plena pré-´campanha eleitoral, nem se diga.
Na perspectiva técnica, o governo quer mesmo é ganhar fôlego para propor mudanças de que o funcionalismo é refratário.
E não poderia esperar as eleições sem fazer nada, no que se pode concluir que a situação seria pior ainda, com agravamentos e consequências previsíveis.
O problema é que (nas contas do próprio governo) a mexida vai exigir um acréscimo de desembolso do governo ao Igeprev de R$ 208 milhões anuais (contabilizado o 13º).
Ou seja, em um ano faltaria pouco para pagar a ponte do lago de Palmas. Serão (conforme o governo ) R$ 16 milhões a mais todo mês.
Para atender 19 mil funcionários que já tem plano de saúde, aposentadoria integral num Estado onde 93% da população dependem do SUS e 900 mil estão no cadastro de benefícios do governo federal.
Num fundo (Igeprev) que abriu 2023 com R$ 3,8 bilhões aplicados em bancos (84,65% em bancos oficiais, Caixa, BB e Tesouro) e fechou o ano com aplicações de R$ 4,5 bilhões (relatório de governança/23). Em franca recuperação.
A pouca disposição para enfrentar pressões do funcionalismo por benefícios,. no entanto, pode ter levado o Igeprev à atual situação: um passivo atuarial de R$ 42 bilhões, como informado ao TCE este ano.
E isto aqui, conforme os balanços do próprio Instituto (2023), sobre contas de 2021/2022.
- “No tocante aos civis: para o Plano Previdenciário, aumento de 60,85%, e 29,29% nos benefícios médios dos aposentados e pensionistas e redução de 41,02% nos salários médios dos ativos, e para o Plano Financeiro, aumento de 55,19%, 2,78% e 16,89% nos salários médios dos ativos e nos benefícios médios de aposentados e pensionistas, respectivamente.
No popular: o valor médio dos benefícios, aposentadorias e pensões aumentando em índices maiores do que o valor do salário médio dos ativos que os banca.
Uma equação de resultado antecipadamente conhecido.


