O governador Mauro Carlesse cumpria agenda no Bico do Papagaio e o deputado Antônio Andrade reunia a imprensa ontem a pretexto de posicionar-se depois de ter sido retirado da presidência da Comissão Provisória estadual do PTB sem um telefonema sequer de Roberto Jefferson para explicar a intervenção.
Disse, dentre outras coisas, que vai onde forem Mauro Carlesse e o vice-governador Wanderlei Barbosa e que já decidiu por filiar-se ao PSL, partido do Governador. Na verdade, esse triunvirato (Carlesse, Wanderlei, Andrade) não é bem o estilo romano porque apenas um comanda: Carlesse. E não é um general como Crasso, Pompeu e Julio Cesar. Foi eleito no voto popular.
Antônio Andrade não deixou espaço para evasivas: Wanderlei Barbosa deverá ser o candidato do Palácio ao governo. Tentou relativizar com eufemismos surrados como “se conseguir viabilizar a candidatura”, “se estiver com condições na época”. Mas reforçou que estão juntos como estiveram na eleição suplementar e nas eleições gerais. e Wanderlei segue fazendo política como nunca.
Para não deixar dúvidas, revelou que seu objetivo é a disputa pela Câmara dos Deputados. De outro modo: renunciou antecipadamente a possibilidade de assumir o governo, como segundo na linha de sucessão, em circunstâncias em que o governador e o primeiro da linha (o vice) possam vir a deixar o cargo, dependendo do que buscarão, dentro do prazo eleitoral. Ou seja, pode sobrar para o presidente do Tribunal de Justiça.
Tudo isto aí colocado após ter perdido o cargo de presidente regional do PTB (o fundo eleitoral, os programas partidários e o o tempo de rádio e TV na campanha eleitoral) e a única informação seria uma mensagem de wahtsapp (que disse não ter respondido) de Roberto Jefferson justificando que ele (Andrade) estaria desaparecido de Brasília (DF).
E qual é o território? Roberto Jefferson é aliado de Jair Bolsonaro e Mauro Carlesse, ainda que defenda o presidente, não segue de todo as irresponsabilidades do Chefe do Executivo federal. Se desenvolve politicamente de forma mais autônoma. E conseguiu enxugar o Estado, está em dias com salários, arrecadação em alta, pagando dívidas atrasadas e não parou de realizar obras.
A sua aliança com Cinthia do PSDB já tinha acendido o sinal amarelo porque do outro lado está João Dória e, claro, o senador Eduardo Gomes, líder de Bolsonaro no Congresso, e potencial candidato ao governo. Não disposto, ele também, a ficar dando bênção a Carlesse. Mas que tem o irmão como vice-prefeito, que pode ser uma cunha ou uma alavanca na administração da prefeita. Âncora ou balão.
Não por menos, no Palácio há o sentimento de que a convocação de Mauro Carlesse (derrubada pelo STF) para a CPI da Pandemia (Carlesse foi um dos governadores que procurou a Justiça) teria o dedo de Eduardo Gomes (que poderia ter buscado retirar o governador com Bolsonaro), também tido nos bastidores como omisso na tentativa de vereadores de cassar a prefeita.
Resumo provável da história: a intervenção no PTB de Antônio Andrade pode ser uma guerra de movimentos de Eduardo Gomes e Bolsonaro em favor das eleições do próximo ano. A crítica a Carlesse sobre as vacinas e as conversações em ritmo frenético que o Senador do MDB tem mantido com lideranças do Estado avaliza sua vontade de disputar o governo. Os fatos demonstram, salvo modificação do quadro, não o fará aliado do Palácio.
Lembra daquela brincadeira de criança de "fazer a gata parir"!! Pois é.


