Não é, evidentemente, conduta compatível com as regras democráticas a destituição, pelo twiter, da presidência metropolitana do PSDB (deputada Luana Ribeiro, ex-presidente do Legislativo estadual e majoritária na Capital, sua base eleitoral) como o fez, no final da tarde de ontem, o presidente nacional do partido, deputado Bruno Araújo (PE). Pelas circunstâncias dadas, ao intervir no metropolitano também está tomando o comando regional do partido, nas mãos do ex-senador Ataídes de Oliveira, eleito pela absoluta maioria dos convencionais.
A decisão intempestiva (as convenções serão de 20 de julho a 5 de agosto e a janela partidária para mudança de partido será em abril) demonstra pelo menos duas questões:
1) o PSDB nacional e Cínthia Ribeiro teriam sucumbido a Ataídes, de forma que só uma intervenção garantiria a candidatura da prefeita e 2) Cínthia não tenciona mudar de partido (de olho certamente no fundo partidário e não nos tucanos que na prática, se não tinha, ficou sem a possibilidade de tê-los), ainda que majoritários não necessitem da janela.
Partidariamente, não se tem conhecimento de um processo interno contra a direção regional ou metropolitana que pudesse sustentar uma intervenção. Mas o tucano-mor já deu a sentença: Cínthia não só será candidata como terá o comando do diretório municipal para conduzir o PSDB nas eleições. Esse é o PSDB que aponta o dedo para o reacionarismo de Jair Bolsonaro.
Um pacote de indelicadeza e de afronta aos estatutos partidários. Ainda que fosse um contra-senso Ataídes dizer-se também candidato, quando está sem mandato e o partido já tem a prefeita que faz um trabalho competente, a movimentação política do presidente nacional do PSDB é uma aberração partidária e política.
Não há acusação formal na direção do PSDB contra Ataídes e a presidência metropolitana de que tenham afrontado os estatutos partidários. A não ser que para o PSDB democracia partidária (e a própria democracia) deva ser exercida apenas quando o partido enxergar como necessário. Deve ser o tal centralismo democrático que os tucanos criticavam no PT. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Aponto, de cara, a possibilidade da direção nacional ter empurrado os parlamentares e prefeito do partido para a oposição pela ruptura do processo democrático de convencimento político. Do ponto de vista eleitoral, afasta de vez o PT e partidos assemelhados do apoio a Cínthia.
Bruno foi ministro de Temer e votou favorável ao impeachment de Dilma Roussef. E partidos serão fundamentais nas eleições deste ano que não terão coligações na proporcional. Sem conversar com as correntes partidárias internas, realçou o arbítrio político que tucanos e modebas conduziram Dilma à forca.
A decisão, à la Bolsonaro, reforça a resistência que os ditos progressistas (e socialistas) teriam contra Cínthia, empurrando-os de vez para Thiago Andrino ou Wanderlei Barbosa que, como Cínthia, integram um espectro ideológico centro-direita. Provoca, na falta de estratégias de convencimento político, fissuras na própria base partidária da prefeita.
O PSDB é, ainda, majoritariamente, comandado pelo ex-senador Ataíde de Oliveira, ali colocado por maioria absoluta dos votos dos convencionais. Cínthia pode ter o PSDB e a legenda, mas não ter os tucanos pedindo votos para ela.
Como a prefeita, qualquer tucano tem direito a disputar a prefeitura de Palmas. Não há candidaturas-natas. A prefeita faz um trabalho competente? Faz. Tanto administrativamente como do ponto de vista fiscal. Os tucanos podem intervir na comissão provisória? Podem!!!
A questão é política: a forma em que ela se dá. Pelo twitter e com um autoritarismo que revela a face reacionária tucana assimilada pelo nordestino Bruno Araújo, é possível deduzir, da pequena e alta burguesia do PSDB paulista que entende poder, como coronéis do café do asfalto, determinar ordens ao interior do país que desconhecem. Ou seja, são socialistas mas nem tanto, naquele "reforma agrária nas minhas fazendas não, só na dos outros".
É provável que, retirados os recursos do fundo partidário, a passionalidade de Bruno Araújo tenha operado contra a eleição de Cínthia. Pode ter a grana e a legenda, mas não os vaqueiros dos votos.


