O governador interino Wanderlei Barbosa tem pelo menos duas chances de manter-se definitivo: uma decisão do STJ por manter afastado Mauro Carlesse (parecer da Procuradoria Geral da República desta semana é indutivo), que redundaria no risco da sua cassação e o impeachment, julgamento político, que, tudo indica, caminha a passos largos no Legislativo. Matematicamente, pelas situações colocadas, uma probabilidade de 100% pró-Wanderlei.
Se no STJ Wanderlei não pode fazer nada, os aliados se encarregam, no Estado, de formar um conceito na população sobre o governador afastado (e as acusações de que se defende) que podem influenciar no juízo (aparentemente já formado) dos ministros. E só.
No Legislativo, a unanimidade dos 24 parlamentares pela tramitação do pedido de impeachment é a parte que cabe ao governador interino e seus líderes na Assembléia.
Corolário: para Mauro Carlesse é mínima a chance de voltar a governar. Se livrar-se no STJ, cai nos deputados que, endossando o trâmite da matéria, se submeteriam, no retorno de Carlesse por decisão do STJ, às retaliações esperadas, fator que realçaria, no ambiente parlamentar, agora e depois, a opção pelo impeachment por puro instinto de defesa e sobrevivência em ano eleitoral.
O problema de Wanderlei agora é governar e entabular um conjunto de forças políticas que lhe dê sustentação à disputa pela reeleição. Até agora, tem conversado bem com as diversas correntes políticas, ainda que tenha também perdido tempo com críticas a adversários quando sua prioridade seria ciscar para dentro. E a amplificar populismos que podem prejudicar seu desempenho administrativo forçado, tudo indica, pela legislação eleitoral que restringe, a partir de abril, muitas ações de governo.
Pode até haver mudanças, mas o governo interino, tudo concorre, já ficou para trás. E com isto, parte da justificativa para equívocos administrativos que continuam vicejando.


