Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Ingresso para Fla X São Paulo pode chegar a R$ 2,5 mil no Maraca hoje. E se comemora toneladas de alimentos arrecadadas ontem por jogadores aposentados para doar aos 700 mil que tem R$ 200,00 para passar o mês no Estado! Vergonha ou orgulho?

13/08/2023 622 visualizações

Haverá o dia em que a ´população pobre do Estado não mais dependerá de entidades assistenciais e eventos políticos episódicos para obter comida.

E se justifique, de fato, o propalado pibão de R$ 56 bilhões e os R$ 16 bilhões de exportações do agronegócio (alimentos) no ano passado. Setor da economia que é tratado como a vocação econômica do Estado.

As mais de cem toneladas de alimentos arrecadadas ontem em ação levada adiante pelo senador Irajá Abreu há alguns anos são dignas de mérito não só moral.

Ainda que aponte um paradoxo entre a fome e a produção de riqueza de alimentos exportados que requereria mais ação legislativa e de governos do que beneficente.

Por outro lado, seria demonstrativo de que a população e empresários que não passam fome  – ao contrário da sociedade política – se esforçam para amenizar o problema que não está circunscrito à baixa renda.

O liberalismo (da unanimidade dos políticos com representação no Estado) depende de consumo para manter ou aumentar seus lucros. E pobre não tem grana para fazer circular a economia e os ganhos de capital.

Diferente da percepção da maioria, impulsionada até por setores dos meios de comunicação, é a população que faz a maior parte e que vale em eventos episódicos como o de ontem: é ela que doa.mais uma vez.

Os artistas (jogadores) apenas alimentam suas vaidades interrompidas com o fim de suas carreiras. E ainda fazem um agrado: chamariz do evento em troca de muita mídia que favorecem a divulgação dos produtos associados às suas imagens.

Poderiam ajudar mais, dividindo um pouco de seus milhões proporcionados pelos que ficam sem feijão para ir a estádios ou comprar camisas de seus clubes.

E os políticos que se aproveitam da miséria: a unanimidade assiste diariamente os 700 mil da pobreza e extrema pobreza do Estado (quase metade da população/46%) que tem apenas até R$ 200 para passar um mês. Um exército de 160 mil famélicos só tem R$ 100,00 para sobreviver por 30 dias, conforme o censo do IBGE.

Tem para sobreviver por 30 dias cerca de 8% do que o torcedor (público geral) irá pagar para assistir neste domingo, no setor da torcida do Flamengo Maracanã Mais, à partida entre Flamengo e São Paulo, pela Copa do Brasil:

Há ingressos de até R$ 2.500,00 (na página oficial do Flamengo nesta manhã) para a partida Flamengo X  São Paulo . Ou os R$ 220 da geraldina do Maracanã na tarde deste domingo. Isto para ver 90 minutos de bola nem sempre rolando.

Mesmo domingo em que a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, de que a unanimidade de deputados e senadores do Estado é aliada, se agrava e já se fala em sua participação, pelas investigações da PF, de integrante  de uma organização criminosa.

O mesmo Bolsonaro que é ídolo da grande maioria dos jogadores veteranos (e que usaran suas redes sociais para pedir votos ao ex-presidente dos 700 mil óbitos da Covid) que foram a campo ontem no Estádio Nllton Santos, associando-se ao projeto,  não só social mas político de arrecadação de alimentos para doar à pobreza.

Entre a cobrança política e o prato de comida, aquele que não tem comida prefere o óbvio. E o processo político se renova nas mesmas formas e narrativas cíclicas que a estratégia mantém como tábua de salvação de suas representações e status quo.

Ou seja, outras edições semelhantes e afins seriam apenas táticas de uma estratégia. Ainda que esteja claro o uso político da pobreza que elege suas excelencias.

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