O prédio da Secretaria de Segurança Pública na Capital teve que ser interditado na manhã desta quarta por um incêndio. Os servidores foram comunicados da dispensa de serviço.
Coincidentemente, é programada para esta quarta a eleição do Conselho Superior de Polícia Civil do Estado para o biênio 2021/2023. O conselho tem dentre suas competências, fiscalizar e supervisionar a atuação da polícia civil. E tem o papel tanto consultivo quanto deliberativo.
O evento ocorre a seis dias de uma manifestação de bolsonaristas contra o STF e Congresso na próxima terça. Protestos que tem o apoio das policias civil e militar em todo o país pela ruptura institucional e que já provoca reação da Justiça e de governos.
No Estado, Mauro Carlesse é tido como aliado de Jair Bolsonaro (filiou-se ao partido pelo qual o presidente foi eleito) e foi um dos dois governadores do país (dentre 27 chefes de Executivos estaduais) a não assinar aquele documento público contra a crise instalada. Deve ter lá seus motivos e justificativas.
Observando sob este aspecto, ter-se-ia, pela lógica, que se houvesse crime (ou aplicação de teses conspiratórias) no incêndio da Secretaria nesta quarta (dia da eleição do Conselho), a ocorrência beneficiaria as circunstâncias, provocando, por consequência, ao Palácio mais relevar (o que o endossaria) que investigar o fato. A ver como se o tratará.
Ainda que sem qualquer comprovação fática, a ocorrência (resguardada a sua proporção) propiciou (nestes dias de teses conspiratórias) a disseminação de nexo causal entre o incêndio e a eleição do conselho que é presidido pelo Secretário de Segurança Pública, mesmo que eleito pelos policiais civis e delegados.
Pelo menos mais dois fatos adicionais poderiam dar vazão às especulações: as divergências públicas entre delegados e setores da polícia civil ao governo (cujo Secretário preside o Conselho) e a realização das eleições estaduais no próximo ano, na vigência do próximo Conselho (cuja eleição estava prevista para esta quarta) quando o colegiado tem instrumentos técnicos e legais para criar problemas políticos ao grupo que comanda, legitimado pelas eleições, o Palácio Araguaia.
E que se note e anote: os policiais civis foram contra as mudanças operadas pelo governo que alteraram as competências do Conselho Superior. Com o aval dos deputados estaduais.
Pode ser que não, mas a impossibilidade do exercício do voto na Capital certamente redundará no adiamento da eleição (que é determinada por lei) já que não seria plausível os policiais do interior votarem hoje e os de Palmas em outro dia.
É esperar para ver se tem sustentação a dúvida sobre conspiração, difícil mas não implausível, ainda que devesse ser refutada do ponto de vista institucional a coincidência circunstancial.


