Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Incêndio no prédio da SSP nesta quarta, no dia da eleição do Conselho Superior de Polícia Civil, ainda que seja apenas uma ocorrência, pode dar "pano pra manga" de campanha

01/09/2021 932 visualizações

O prédio da Secretaria de Segurança Pública na Capital teve que ser interditado na manhã desta quarta por um incêndio. Os servidores foram comunicados da dispensa de serviço.

Coincidentemente, é programada para esta quarta a eleição do Conselho Superior de Polícia Civil do Estado para o biênio 2021/2023. O conselho tem dentre suas competências, fiscalizar e supervisionar a atuação da polícia civil. E tem o papel tanto consultivo quanto deliberativo.

O evento ocorre a seis dias de uma  manifestação  de bolsonaristas contra o STF e Congresso na próxima terça. Protestos que tem o apoio das policias civil e militar em todo o país pela ruptura institucional e que já provoca reação da Justiça e de governos.

No Estado, Mauro Carlesse é tido como aliado de Jair Bolsonaro (filiou-se ao partido pelo qual o presidente foi eleito) e foi um dos dois governadores do país (dentre 27 chefes de Executivos estaduais) a não assinar aquele documento público contra a crise instalada. Deve ter lá seus motivos e justificativas.

Observando sob este aspecto, ter-se-ia, pela lógica, que se houvesse crime (ou aplicação de teses conspiratórias) no incêndio da Secretaria nesta quarta (dia da eleição do Conselho), a ocorrência beneficiaria as circunstâncias, provocando, por consequência, ao Palácio mais relevar (o que o endossaria) que investigar o fato. A ver como se o tratará.

Ainda que sem qualquer comprovação fática, a ocorrência (resguardada a sua proporção) propiciou (nestes dias de teses conspiratórias) a disseminação de nexo causal entre o incêndio e a eleição do conselho que é presidido pelo Secretário de Segurança Pública, mesmo que eleito pelos policiais civis e delegados.

Pelo menos mais dois fatos adicionais poderiam dar vazão às especulações: as divergências públicas entre delegados e setores da polícia civil ao governo (cujo Secretário preside o Conselho) e a realização das eleições estaduais no próximo ano, na vigência do próximo Conselho (cuja eleição estava prevista para esta quarta) quando o colegiado tem instrumentos técnicos e legais para criar problemas políticos ao grupo que comanda, legitimado pelas eleições, o Palácio Araguaia.

E que se note e anote: os policiais civis foram contra as mudanças operadas pelo governo que alteraram as competências do Conselho Superior. Com o aval dos deputados estaduais.

Pode ser que não, mas a impossibilidade do exercício do voto na Capital certamente redundará no adiamento da eleição (que é determinada por lei) já que não seria  plausível os policiais do interior votarem hoje e os de Palmas em outro dia.

É esperar para ver se tem sustentação a dúvida sobre conspiração, difícil mas não implausível, ainda que devesse ser refutada do ponto de vista institucional a coincidência circunstancial.

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