Pode-se, a priori, observar pelo menos duas consequências e uma conclusão da decisão do governador interino Wanderlei Barbosa de botar pressão nos deputados pelo impeachment de Mauro Carlesse.
A primeira, por óbvio, trazer de volta a público o governador afastado Mauro Carlesse a estabelecer, a seu modo e forma, igual pressão sobre os mesmos parlamentares por movimento contrário.
Não de igual intensidade como na física, mas sugerindo ser detentor de mecanismos, informações e força mais convincentes para eliminar resistências parlamentares ao seu presuntivo retorno ao cargo que o impeachment aniquilaria num estalar de dedos.
O segundo efeito não menos relevante é a união informal dos candidatos de oposição ao governo aliando-se na defesa do não-impeachment de Mauro Carlesse pelas razões colocadas: falta de razão.
Os mesmos oposicionistas, como é público, esculhambavam há poucos dias o governador afastado, acusando-o de praticar uma roubalheira no Estado.
Afastado, virou um santo perseguido pelo governador interino, apesar do processo do MPF/PF/STJ que traduz (ainda que sem o devido contraditório) parte da argamassa que formatava o elenco de acusações que lhe fazia a oposição.
Além do mais, as justificativas do pedido de impeachment contra Mauro Carlesse repetem as razões para o processo apresentadas pelo pedido de impeachment de Marcelo Miranda, retirado da gaveta por Carlesse e com parecer favorável da Procuradoria Jurídica da Assembléia.
Ambos, Marcelo quanto Carlesse, praticaram um elenco de ações que podem ser enquadradas como crimes de responsabilidade e improbidade.
Basta ver as pedaladas fiscais, a administração do Fundeb pela Secretaria da Fazenda, o não pagamento dos consignados, Igeprev e Plan-Saúde.O TCE é que, vigilante contra prefeitos, faz cara de paisagem com o governo.
Conclusão óbvia: a oposição, se via na retórica contra Mauro Carlesse no governo expediente suficiente para enfrentá-lo em 2022 (não protocolaram pedido de impeachment) e defendem agora o não impeachment, dá evidências indiscutíveis de que Wanderlei seria, no cargo, adversário mais difícil de ser enfrentado.
Ou seja, ambos, Wanderlei e oposição vêem no impeachment do governador afastado a pedra de toque da sucessão. E também ambos tem pouco prazo.
Isto porque se a mesa acatar o pedido, Carlesse teria dez sessões para se defender, a comissão outras cinco para dar um parecer que, se positivo, teria que ser aprovado em plenário, que aceitando-o, criaria uma comissão julgadora com cinco desembargadores e cinco deputados que definiriam o caso com maioria de dois terços.Julgamento com o governador, que já está afastado, fora do exercício do cargo.
Sendo que a sessão legislativa encerra-se daqui a duas semanas (15 de dezembro), recesso vai até fevereiro e afastamento (do STFJ) vaí até abril. Assim como os 180 dias do afastamento do STJ.
Prazo também para desincompatibilização de Carlesse que, optando por outra candidatura (até por questão de prerrogativa de foro), assume definitivamente o vice.
Um processo que automaticamente já formava uma agenda política e, pela aceleração inercial, seguia seu curso. Mas que Wanderlei precipitou a resistência criando frentes públicas de oposição. E isto tem seu preço.
A esta altura, os aliados de Wanderlei estariam gritando: conta, Carlesse, conta!!! E a oposição: não conta, não, Carlesse!!!! Em ambas as vontades, pressão e resultado estariam diretamente ligados aos deputados senhores dos votos do impeachment.


