As imagens da sessão do Legislativo ontem dizem bem do discernimento da maioria dos vereadores da Capital sobre suas funções, competências e compromisso com a representação. Mais grave que o próprio objeto de discussão e que resultou na sua aprovação (benesses escancaradas não refutadas na sua defesa falaciosa) em primeiro turno ontem em plenário (necessita do segundo turno). O TCE se posicionou contrário imediatamente ainda ontem. É ver se o Legislativo vai descumprir.
Isto porque denuncia um método e a régua de um grupo disposto a contrariar suas obrigações e competências legais, colocando os interesses do vereadores (e não do Legislativo) acima da sociedade, como fica claro nos discursos de ontem em favor das benesses.Caso quisessem mudar, bem poderiam passar por uma escolinha do Legislativo para saberem sobre papel do vereador, princípios e legislação para controlar os instintos primitivos.
Os vereadores observam como normal realizar uma sessão extraordinária da CCJ (fora do horário habitual), em pleno curso de uma sessão ordinária (como denunciado pelo vereador Tiago Andrino), contrariando o regimento.
Mais: sem convocar um membro contrário, manifestadamente em oposição à prebenda, e considerar tudo isto "muito as claro (sic...)" (nas palavras do ex-presidente da Casa, Folha Filho que vai para o quarto mandato) ou que o mais seria demência do parlamentar (como pregou o vereador Rogério Freitas) que, apesar de Freitas, tem, sim, Andrino, direito a ser contra. Se já tinha direito como cidadão de protestar, como vereador nem se o diga.
E ainda ter que dar crédito às explicações do presidente da CCJ, vereador Lúcio Campelo, que justificou a sessão, segundo ele, as 8h (quando a Rotam faria uma ação na Casa) pela necessidade de corrigir uma decisão da Câmara de janeiro de 2018!!!!, uma resolução que revogava um decreto legislativo.
Para entender: os vereadores agora, dois anos depois, querem revogar a resolução que revogava o decreto que criava o auxílio paletó e o auxílio assiduidade. A isto aí (a anulação da resolução que acabava com o auxílio) os vereadores tentam demonstrar que não significaria o retorno da indenização de R$ 12 mil (paletó) e mais R$ 12 mil (assiduidade). Uma aposta na idiotia coletiva
Ou seja, dois salários extras (ter-ia 15 salários contra os 13 que já tem) já que o vencimento do vereador é de R$ 12 mil. "Pagar é outra coisa", regurgitou ontem o presidente da CCJ, não explicando porque essa questão continuava na pauta pendente por 24 meses, mesmo contra o regimento (o que revelava outra inconsistência, a sua aprovação, pelos mesmos vereadores, contra o regimento) sem ser provocada por suas excelências.
Conversa pra boi dormir. Bem traduzida no discurso de Andrino (que renunciou à benesse): o trabalhador quando não vai ao serviço o patrão corta o ponto, os vereadores ganham indenização por comparecer ao trabalho!!
É uma situação tão esdrúxula que um vereador (Felipão Fernandes), na mais absoluta falta de argumentos e com a excelência argumentativa e retórica de que é possuidor (por que não existiria, evidentemente) justificou as "benesses" (opondo-se a seu oponente) atacando aqueles que eram a elas contrários. Como se o fato de Tiago Andrino não ter se posicionado contra as acusações feitas a Carlos Amastha (em sua administração) eliminaria a imoralidade da volta dos auxílios a quinze dias do final da legislatura.
Os princípios lógicos indicariam que dois erros não fazem um acerto. E ao utilizarem -se um erro para contrapor-se a outro erro, estariam, evidentemente, ambos errados por não demonstrarem o acerto. Ou seja, o vereador Felipão estaria assumindo o seu próprio erro tentando demonstrar o contrário. Não é obrigado, por certo, a entender de lógica e filosofia.
A população está numa encruzilhada. Os 12 vereadores que não foram reeleitos formam maioria parlamentar pela aprovação em segundo turno. E não tem compromisso algum com a administração pública (e com os eleitores que o renegaram) nos próximos quatro anos. A desfaçatez e licenciosidade, assim, tem a presunção da impunidade e do esquecimento político pelo desvio moral. Não deixa de ser uma escolha de suas excelências.


