Os números relativos de que fazem uso político os pré-candidatos realçam o abismo existente entre representação e representados.
Em Porto Nacional o prefeito Ronivon Maciel (pré-candidato à reeleição) celebra a elevação do PIB municipal para R$ 3,6 bilhões. Um PIB per capita de R$ 68 mil. E isto é disseminado como valor de face do desenvolvimento ainda que diga respeito, tudo indica, a outras variantes.
A economia de Porto teria ultrapassado em R$ 1 bilhão a movimentação econômica de Gurupi. Antes da criação do Estado, gurupienses e portuenses disputavam na “porrinha” qual cidade era melhor e mais desenvolvida.
Não só na economia, mas no futebol e até quem tinha mais placas de veículos com o nome do município.
É fato que o PIB cresceu. E que superou o de Gurupi. Os números são do IBGE.
Mas também o IBGE registra em Porto Nacional que, apesar desse pibão aí, cerca de 36,6% das famílias da cidade tem renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 660,00). E uma incidência de pobreza de 38,74%.
O serviço público da cidade não tem mamógrafo, raios-X, hemodiálise, ressonância magnética, ultrassom e apenas 112 leitos públicos para a população de 68 mil habitantes.
Pior: apenas 22,95% da população – segundo o IBGE – estão ocupados. Ou seja, o crescimento do Pibão não está nem aí. Mas o uso político da informação dá-lhes crédito por um avanço social que se imagina o econômico favoreça quando de fato apenas o explora.
De modo que a celebração do poder público pelo PIB se aproximaria mais do sorriso dos grandes empresários de milho, sorgo e soja que produziram em 2022 a soma de 215 mil toneladas. A terceira maior produção do Estado e proporcional ao desmatamento.
Riqueza que não é redistribuída à população já que tem isenção de impostos na exportação e até 2% circulação interna. Contra o ICMS de 20% que paga o consumidor no supermercado.


