Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Ignorância que faz os valentes contrariarem as regras e minimizarem os 20 mil óbitos no planeta em dois meses!!!! Que morram sozinhos, mas não matem!!!!!!!

luizarmandocosta 29/03/2020 607 visualizações

Retornava de minha corrida de 8km nesta manhã de domingo quando deparei-me com uma discussão entre um cidadão e o atendente do supermercado onde eu aguardava minha oportunidade para entrar e adquirir uma latinha de leite em pó.

O moço (com idade inferior a 60 anos mas com físico e rosto de mais), calçado numa sandália Rider, com os dedos dos pés saindo pela frente da sandália, calção de nylon e camiseta de um time de futebol que indicavam quase um figurino ideológico, ameaçava o empregado porque este fazia cumprir a lei: entre as 6h e 7h o supermercado estava atendendo apenas idosos e os que são pacientes de doenças crônicas.

O fortão esbravejava que o Brasil não poderia parar e que todos estavam contra o presidente, pois era apenas uma gripezinha, que tinha direito à liberdade de ir e vir, esquecendo-se, claro, que o supermercado é uma empresa privada onde qualquer um não pode fazer o que der na telha. E que havia um decreto de calamidade.  O atendente resoluto na proibição, com máscaras e luvas, guardava a distância de um metro do valente que insistia em encostar-lhe a mão para abrir passagem. Lá dentro, velhinhos compravam sua feira do dia.

Na entrada, mais pessoas foram se aglomerando e o fortão teve que diminuir o "facho" e enfrentar aqueles que, como tantos, seguiam a normas e observavam a cena envergonhados e, claro, temerosos. Tanto pelo porte atlético do valente quando pela possibilidade dele carregar o vírus.

Afinal, se não guardava respeito às normas e condutas de saúde ali no supermercado, a probabilidade de ter contraído o coronavírus com seu comportamento não era nada desprezível. Assim como a contaminação a outras pessoas. De forma que todos ali, mesmo guardando distância de um metro do valente, estariam sujeitos ao Covid-19. Deu (ou demos nós) sorte porque faltavam apenas 10 minutos para as 7 horas.

O Brasil registrou ontem – dez dias após a primeira morte - um total de  117 óbitos pelo Covirus-19. Uma média de 11 mortes a cada 24 horas. Nos Estados Unidos eram registrados ontem 2.010 óbitos, na Espanha 6.528, na Itália superou os 10 mil mortos desde o primeiro caso em 31 de janeiro. Não há vacina e o melhor remédio, conforme médicos e cientistas, é, por enquanto, a prevenção.

No Brasil, o fortão que segue o Presidente na desobediência ao vírus, endossa a "gripezinha" de Bolsonaro e a reação de Donald Trump, há um mês, quando  minimizou o Covid, no que foi seguido por celerados no nosso  país. Um mês depois, Trump retrocedeu, mas os nossos celerados continuam buzinando de dentro do confinamento de seus carrões.

Os EUA, hoje, registram (com seus 330 milhões de habitantes) 120 mil contaminados contra os 81 mil da China (de 1,3 bilhão de moradores) e onde pode ter tido início a pandemia. Diferencia-os a forma como os dois países trataram o vírus. Enquanto Trump dava a mínima (sendo exemplo para o Brasil), a China determinava o isolamento de sua população.

É isto que os fortões e valentes (como o do supermercado) ainda estão reverberando. É uma turma que só vai cair a ficha quando algum parente próximo ou amigo for a óbito pelo vírus. Muitos nem assim, porque não tem a capacidade humana de empatia, dado o grau de alienação a que estão submetidos.

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