Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Igeprev contabilizou créditos não recebidos de contribuições patronais do governo de R$ 600 milhões só no ano passado!!

21/06/2021 620 visualizações

A discussão sobre formas de revitalização do Igeprev ainda não mobilizou a maioria das lideranças sindicais. E é provável que nos próximos meses a campanha eleitoral contamine o debate acerca do uso dos recursos aplicados (R$ 3,7 bilhões) na liberação de crédito consignado a servidores.

Apesar da matemática financeira apontar ser mais rentável ao Igeprev emprestar aos funcionários do que aos bancos que, por seu turno, re-emprestam os recursos aos mesmos donos do dinheiro.

A equação de ajuste do Igeprev tem, entretanto, outros pontos nevrálgicos. O principal deles está no Executivo. Ainda que o atual governo tenha tomado medidas para reduzir o déficit, a execução orçamentária é deficitária.

No balanço de 2020 publicado, o Igeprev teve que remanejar recursos do Plano Previdenciário para pagar aposentadorias e pensões (de civis e militares) do Plano Financeiro. No mês de dezembro de 2020 faltaram R$ 77,3 milhões.

No fundo financeiro estão contemplados 40.749 pessoas (sendo 27.192 ativos) e outros 7.419 no previdenciário (7.366 ativos).

O plano (fundo) financeiro (antes de 2012) tem uma folha salarial de 208 milhões (onde incidem as contribuições) com salário médio de R$ 7,6 mil (menor salário de R$ 954 e maior salário de R$ 33,7 mil). Um benefício médio de R$ 5.470,92.

Já o fundo previdenciário (após 2012), a folha é de R$ 27 milhões (salário médio de R$ 5,6 mil). Maior salário de R$ 33,7 mil (menor também de R$ 954). E benefício médio de R$ 1.767,07.

Ou seja, faltou dinheiro para pagar benefícios do plano que envolve mais dinheiro de contribuições. Pela grandeza numérica, um problema maior.

E onde está o cerne da questão? Em 2020, ainda que as contribuições de servidores registrassem crescimento nos dois planos, a contribuição patronal (obrigação do governo) apresentou déficit. em ambos, deduz, por não repasse da contribuição ao instituto.

O Igeprev tinha uma previsão no Plano Financeiro de R$ 370,1 milhões de contribuição de servidores. Fechou o ano com 427,8 milhões. Uma diferença a maior de R$ 57 milhões. Já de contribuição patronal, a estimativa era de R$ 1,048 bilhão e o governo só repassou R$ 536 milhões, o que leva o Executivo a inadimplência no período de R$ 512  milhões.

Já no Plano Previdenciário, a previsão era de R$ 40,3 milhões de contribuição dos servidores. Fechou o ano de 2020 com R$ 53,5 milhões. Um acréscimo de R$ 13,1 milhões.

As contribuições patronais, no entanto, tiveram déficit. O Igeprev esperava uma arrecadação de R$ 127,1 milhões e o governo só repassou R$ 48,6 milhões. Uma dívida de 78,5 milhões que somada aos R$ 512 milhões (com o fundo finaneiro) prega no governo uma dívida (somente de 2020) de algo próximo a R$ 600 milhões.

 

 

 

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