Os Institutos de Pesquisa cometem, não raro, erros fenomenais. Estatísticas, ainda que retratem realidades objetivas instantâneas, são também, no entanto, de resultados subjetivos. Quer ver uma: Palmas tem uma média de precipitação (chuva) de 108mm/mês (1.302mm/ano). Na Amazônia é 2.450mm/ano e no Nordeste, 700mm/ano.
Apesar dos 108mm mensais (a média estatística) a Capital fica de quatro a cinco meses no ano sem qualquer pingo de água caindo do céu. Se considerarmos apenas o retrato (recorte) da estatística mensal, não haveria secura na cidade por 120 dias no ano. E estaríamos bem na fita, mas mal na distribuição de recursos federais para o setor.
Os 28% do Ibope encontrados ontem por dados a Cínthia Ribeiro (pesquisa no G1 Tocantins/Rede Globo/TV Anhanguera) - correspondentes a 54% da soma das intenções dos outros onze candidatos - é o retrato desta semana (30 de setembro a 2 de outubro) mas expõe as dificuldades de seus adversários que tem menos de um mês e meio (43 dias) para reverter o quadro. E apenas 34 dias de propaganda eleitoral gratuíta (9 de outubro/2 de novembro).
Cínthia teria hoje algo próximo de 50 mil votos contra 91 mil divididos entre outros onze concorrentes. Na eleição passada, com metade do número de candidatos (seis e bi-polarizado com Raul Filho), Amastha saiu das urnas com 68 mil votos. E ainda tem os 38 mil de indecisos e que se dispõem a anular o voto.
Uma combinação de fatores pode ter levado Cínthia à posição. Dentre eles, é possível notar o número de famílias beneficiadas com moradia (num cálculo aproximado, mais de 40 mil pessoas beneficiadas), sua administração na Covid e a extensa lista de obras de asfaltamento e melhoria das vias públicas na cidade que modificam a porta da casa do cidadão e o ânimo das pessoas do seu bairro. Eleição municipal, como é sabido, começa na porta do morador. E até aquele inclinado a cegueiras circunstanciais, tem dificuldade em negá-lo nos últimos dois anos em Palmas.
Cínthia se apresenta, na prática, como preocupada em dar à administração um sentido moral e ético, se desloca enquadrada na Lei de Responsabilidade Fiscal, não elevou a carga tributária e fechou o segundo quadrimestre com superávit orçamentário e financeiro. Pior: não responde a qualquer processo cabeludo e resistiu à inclusâo à sua chapa de um empresário até aqui somente acusado de condutas pouco ortodoxas.
Situação que derruba de cara pelo menos cinco adversários no confronto direto: Marcelo Lélis (condenação por abuso de poder econômico), Tiago Amastha Andrino (elevação IPTU/BRT/rombo Previpalmas/taxas água/esgoto BRK), Junior Geo (auxílio moradia numa cidade de famintos e sem-teto), Eli Borges (garçons de R$ 11 mil da empresa do vice na Assembléia) e Vanda Monteiro (auxílio moradia com casa própria na cidade).
Esta é a situação que, a priori, os adversários, divididos, terão que modificar. De forma que forneçam ao eleitor argumentos para comprovar que não tivessem participado dos deslizes públicos e que pudessem negar, ainda, a melhoria da cidade. No periodo, Cinthia conseguiu desgarrar-se do fardo de Amastha. E que se diga: por força do rompimento até mesmo unilateral do próprio ex-prefeito, que a beneficiou.
Como disse lá atrás: pesquisa é o retrato circunstancial do momento. Só que há outro recorte: não se asfalta bairros e milhares de casas populares não caem como um raio. Como nas pesquisas estatísticas climatológicas.


