Não estaria desprovido de razão o cidadão que atribuisse às lideranças políticas o papel de elemento causador dos maiores problemas que é obrigado a enfrentar no cotidiano.
E que não fora a resistência daqueles que, felizmente em maioria, refratários a desvios éticos e morais, a democracia representativa já teria ido para o saco há muito. Com o consequente estabelecimento de campo fértil a regimes arbitrários no sentido contrário.
O primeiro dia de dezembro não assombrou porque a população já não se importa mais, anda ocupada com a própria sobrevivência e prescinde de lideranças a impulsioná-la à indignação coletiva.
O dezembro que chegou, ao invés de anunciar um outro ciclo com novos vereadores e prefeitos tomando posse daqui a um mês, denunciou com expressão inaudita que, se o desemprego aumenta, a pobreza explode e os cofres públicos transbordam de receitas de impostos, a sociedade política trocou de vez o bom senso pela desfaçatez.
Não é para qualquer um afinal, como vereador, detentor de representação popular, propor e concordar com um projeto que concede benefícios parlamentares a 30 dias do fim do mandato como o fizeram ontem os vereadores metropolitanos. Uma dezena deles irá para casa daqui a duas semanas. E não voltará em 2021 por não reeleitos.
O auxílio-paletó e o auxílio-assiduidade aprovados ontem por 18 vereadores da Capital que vai encher o bolsos dos parlamentares com R$ 24 mil a cada um (meio milhão de reais somados/quase uma creche num estalar de dedos) neste final de ano é, assim, daquelas situações inimagináveis numa sociedade saudável e regulada pelo estado democrático e de direito.
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