Leio no Jornal do Tocantins que o STF negou HC ao acusado de assassinar a empresária Maria Helena Ribeiro Soares. Ele não queria ir a júri popular. O crime bárbaro foi perpetrado em 2012 na casa do acusado na quadra Arse 51 (504 Sul), na Capital.
Helena (como a chamávamos) era uma guerreira. Mantinha um barzinho na 51 desde o início da Capital (ali atrás do Hospital Maternidade, quem está desde o começo sabe onde é). Helena havia deixado Porto Nacional para ganhar a vida em Palmas. Sobrevivência "aguentando" não só boas pessoas, mas também os "bebuns" e inconvenientes na noite.
Local onde muitos (como eu) buscávamos todos os finais de tarde para um happyour. Onde também muitos políticos se encontravam para jogar conversa fora. Muitas chapas e candidatura nasceram ali.
Intuo que um tanto buscava o seu barzinho, também, por sua beleza e simpatia. Não transmitia os problemas para criar sozinha o filho. Mas conseguia que fosse respeitada por todos. Ninguém avançava o sinal.
Na última vez que a encontrei (uma semana antes de ser assassinada) dizia-me que estava feliz. Tinha conseguido sair da encrenca do companheiro que arranjara, depois de anos com sua independência.
E lutava para voltar ao corpo que tinha e que, como sua simpatia, era um dos atrativos de seus clientes no início de 90, sem que tentassem ultrajá-la, sequer deixá-la sem graça.
Parecia uma irmã de cada um daqueles. Encontramo-nos, antes de ser morta, numa academia na pista do Aeroporto.
Pois a encrenca não a tinha esquecido. É o acusado de tê-la atraído para sua casa (apesar de medida protetiva), Helena com sua leveza e coração aberto não imaginou que seria o último ato de sua vida. E teria ido ao seu encontro. Matou-a, a encrenca, com requintes de crueldade, como aponta a promotoria e polícia.
E ainda pedia para não ir a júri. Além de assassino, um covarde. Agora é com a população para fazer justiça a Helena.


