Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Haiti também é aqui. No meu artigo desta quarta no Jornal do Tocantins

luizarmandocosta 11/12/2019 376 visualizações

O Brasil é o segundo país do planeta de maior concentração de renda. Informa a Organização das Nações Unidas. Do paralelo 13º ao 5º, do meridiano 45º a 50º, contemplamos, por aqui, a miséria brasileira oceânica em meio ao 1% que detém 28,30% da renda nacional (ou dos 10% que tem 41,9% de todas as riquezas do país) como se não nos dissesse respeito. Impressiona a letargia.

Temos uma estimativa de PIB regional de R$ 39 bilhões e 588 mil pessoas ocupadas com renda de até R$ 415,00. Como a última Pnad Contínua IBGE (3º trimestre/2019) registrava no Tocantins 639 mil pessoas trabalhando, apenas 8% detinham, com efeito, a maior fatia das riquezas. De outro modo: 92% das pessoas ocupadas no Estado tinham uma renda de até meio salário mínimo.

Significaria dizer, grosso modo, que a concentração de renda no Tocantins pode vir a ser maior do que a registrada pela ONU no país. Aliás, questão demonstrada no Índice Gini (que mede as desigualdades), onde o Estado (0,5) é o sétimo entre as unidades federativas com maior índice de desigualdades. E se isto decorre justamente da concentração de renda.

São dados públicos que estão aí mas que os tratamos como se disséssemos "Palmas, sua linda" ou cantássemos uma dessas canções lúdicas de amor à terra e recitássemos epopéias de eternos chegantes. Enquanto as distorções crescem em escala geométrica, seguimos nossa valsinha de notas e compasso aritméticos.

Eles negam, indiscutivelmente, o Tocantins da propaganda que insiste em deixá-los fora da equação como se se pudesse dar outro sentido aos números. Opondo-se à cultura democrática que foi imaginada justamente para contrariar a lógica natural de que os mais fortes prevalecem.

Há, assim, dois Estados: o da maioria na pobreza e extrema pobreza e o da minoria rica, sustentada por aquele. Seja pela renúncia fiscal a grandes empresários, seja pelos recursos das grandes obras para colorir um Estado pobre de tonalidade rica ou pelos nababescos (ainda que meritórios) salários da rede pública.

A população do Estado paga hoje, com sua miséria perene, o arremedo de sonhos megalomaníacos daqueles que implantaram-no com os olhos voltados para o Sul e não para o seu interior.

Embalado por um anacronismo

 

Leia mais: https://www.jornaldotocantins.com.br/editorias/opiniao/tend%C3%AAncias-e-ideias-1.1694943/haiti-tamb%C3%A9m-%C3%A9-aqui-1.1950827

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