Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Guerra dos vices não é nova mas o apreço à figura institucional do cargo tem sido deixado de lado publicamente de forma desrespeitosa

01/03/2025 719 visualizações

Desde Roma, o cargo de vice foi talhado para conspirações e traições. Ressalvadas as exceções que apenas confirmam a regra.

A troca de gentilezas entre Wanderlei Barbosa e Laurez Moreira (transmitidas ao público pelos chamados aliados de cada qual) permite justapor outra dupla de governador e vice: Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa.

Carlesse chegou a dar entrevistas acusando Wanderlei de se aliar com Kátia Abreu para derrubá-lo.

Semelhante à justificativa de Wanderlei hoje de que Laurez estivesse conspirando com a mesma Kátia Abreu para retirá-lo do cargo.

No governo Mauro Carlesse, apesar das divergências governamentais, o governador manteve Wanderlei com seu gabinete no Palácio Araguaia, uma Secretaria e, como vazado por secretários de Carlesse, detentor, como vice, de duas centenas de cargos na administração.

Laurez, como vice, não teria nem chefia de gabinete. E sequer sala no Palácio, reclamam seus aliados. E agora se sabe que desde no ano passado fora alijado do cartão corporativo. No Palácio a informação é negada. Laurez teria sim, chefe de gabinete, assessores e carros oficiais.

Se lá em Mauro Carlesse, apesar das públicas divergências, o governador não impôs dificuldades para o vice assumir em suas viagens (como assumiu Wanderlei), Wanderlei fez acrescentar na Constituição do Estado a desnecessidade de passar o cargo ao vice Laurez nos seus deslocamentos.

Wanderlei diz que não vai se afastar para que o vice dispute o governo no cargo. Laurez não precisa do cargo para disputar, mas Wanderlei sim: precisa deixá-lo.

Caminha-se para a situação política das eleições de 2002. Siqueira segurou até o último minuto sua renúncia para que o filho Eduardo pudesse disputar o governo.

O vice de Siqueira era João Cruz, então prefeito de Gurupi. 

Mas para assumir o lugar de Siqueira (caso este renunciasse) primeiro teria que deixar a prefeitura. E se assumisse como vice, se candidataria à reeleição, inviabilizando Eduardo.

Siqueira não renunciou e engoliu Marcelo Miranda, imposto por Brito Miranda como opção. E deu no que deu. Só para não deixar o João, vice, assumir.

Seria Amélio Cayres III, o Grande, o Marcelo de Wanderlei? E aí Amelio Cayres III, o Grande, poder-se-ia projetar como o "nosso" Marcelo Miranda de amanhã. Que tal?

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