O Estado enfrenta este 7 de setembro, do ponto de vista econômico, pior que o 7 de setembro do ano passado. Como as demais unidades da Federação, sob recessão técnica. Um recuo. Um retrocesso na economia. Não sem razão, o governo Mauro Carlesse refaz o PPA produzido em 2019 para vigorar até 2023. Feito para durar quatro anos é alterado no primeiro exercício.
O menor responsável por tudo isto é o consumidor ou contribuinte. Ele banca a farra da dívida pública que leva à recessão que não é só uma questão de mercado. No Estado, só este ano, ele deixou nos cofres públicos (apenas dos governos federal e estadual) a montanha de R$ 3,8 bilhões (ICMS/até agosto e impostos federais/até julho). Somando outros impostos estaduais (ITCD/IPVA e que tais) e a arrecadação da União de agosto (ainda não divulgada) vai passar dos R$ 4 bilhões.
E o que tem recebido em troca: a redução da massa salarial de todas as pessoas ocupadas (PNAD trimestra/2º trimestre/2020/IBGE) de R$ 1,865 bilhões (primeiro trimestre/2020) para R$ 1,150 bilhões (2º trimestre). E a redução das pessoas na força de trabalho de 721 mil para 687 mil no período. Na contramão dos incentivos fiscais concedidos aos empresários empregadores.
Consequentemente, o aumento dos fora da força de trabalho, que saltaram de 532 mil para 564 mil em três meses. As pessoas empregadas diminuiram. Passaram de 423 mil para 402 mil de março a junho, elevando o número de desempregados, com uma taxa de desocupação passando de 11,2% (março) para 12,6% (junho).
E apenas 149 mil pessoas com carteira assinada, de um universo de 1 milhão e 251 mil pessoas acima de 14 anos (economicamente ativas). O que implica num resultado perverso: apenas 11,9% das pessoas em condições de trabalho teriam carteira assinada (149 mil).
O governo do Estado tem mais administrado folha de pagamento do que o bem-estar da população. Ainda que tenha reduzido a relação despesas/receitas considerando janeiro/agosto/2019, com janeiro/agosto de 2020, consome 20,5% do PIB (R$ 34 bilhões) com salários anualmente (2019).
É uma relação perversa. O governo empenhou este ano 7,1% a menos com despesas do que no mesmo período de 2019. E, por outro lado, viu suas receitas aumentarem (comparando-se o mesmo período) em 9,8%. Ou seja, gastou menos que receitas.
Mas não consegue destravar o desenvolvimento e aumentar empregos e renda. De R$ 6,6 bilhões que empenhou até agosto/2020, apenas R$ 381 milhões destinam-se a investimentos. O total de R$ 5,4 bilhões consumiu com custeio (pessoal e outras despesas correntes) e o resto no serviço da dívida.
E não há no visor qualquer indício de que essa equação seja modificada. De forma que não há Grito do Ipiranga. E sim o grito da fome e da insegurança em todos os sentidos.


