Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Governos seguem o fluxo do desequilíbrio. No Jornal do Tocantins desta quarta

luizarmandocosta 21/10/2020 131 visualizações

A decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins, de suspender decisão do Tribunal Regional Federal que proibia dois empréstimos do governo do Estado com a Caixa, no valor total de R$ 583 milhões (R$ 453 milhões/asfalto/hospitais + R$ 130 milhões/ponte) é emblemática.

O governo precisa dos recursos para as obras, o Legislativo estadual aprovou os empréstimos, a dívida pública está longe do limite máximo e as receitas permitiriam o serviço da nova dívida. Texto financeira e legalmente perfeito. Mas tem o contexto.

Contabilizadas as despesas e os compromissos já existentes o mesmo governo não teria capacidade de pagamento. Apesar do crescimento real das receitas tributárias.

O endividamento da administração representa 67,61% da receita corrente líquida, a despesa corrente consome 95,86% da RCL ajustada e as obrigações financeiras giram em torno de 577,54% da disponibilidade de caixa.

É aí uma das questões: os governos quando não possuem mais recursos vão atrás de empréstimos para investimentos aumentando a dívida que termina por confiscar a poupança de gerações futuras. E diminuindo mais ainda sua capacidade de pagamento.

Como a Secretaria do Tesouro Nacional veta avais e novos empréstimos a Estados endividados, sem poupança e sem liquidez, os governadores batem às portas da Justiça com argumentos que, retirada a retórica chinfrim, buscam esgrimir a questão do pacto federativo e de autonomia dos Estados.

Com isto, já conseguiram decisões favoráveis do Supremo Tribunal Federal e do STJ, como logrou, agora, o governo do Tocantins. Os bancos, receosos, não raro seguram a contratação, aguardando outras decisões que os impeçam de liberar os recursos, autorizados por decisões liminares monocráticas.

Leia mais:https://www.jornaldotocantins.com.br/editorias/opiniao/tend%C3%AAncias-e-ideias-1.1694943/governos-seguem-o-fluxo-do-desequil%C3%ADbrio-1.2137847

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano