O grupo gestor decidiu fazer política. Não é uma boa assessoria ao governo.
Resolveu entregar ao Chefe do Executivo (e publicitar) um balanço destacando o equilíbrio fiscal. E os investimentos.(leia material do governo nesta página).
É quase uma provocação às pessoas que acompanham a execução orçamentária do governo.
O vetor das contas indicaria preocupação e não abertura, contingenciamento ao invés de expansão de gastos.
Wanderlei, de fato, melhorou o desempenho fiscal em 2022 e 2023. O leitor leu isto aqui nos últimos dois anos. Mas abriu a porteira em 2024.
Tanto é que caiu na Capag (reduziu a capacidade de pagamento, a autonomia, o caixa, a liquidez). O grupo gestor desinforma quando mostra ao Governador o contrário. E isto faz mal ao desempenho do governo.
Isto porque faz crer no Chefe do Executivo que tudo vai bem, quando os números dizem o contrário pela inclinação que sugerem.
A Capag atualizada no dia 15 de janeiro de 2025 pela Secretaria do Tesouro Nacional mantém a letra B+. Mas os números despencaram. Este + da letra é a transparência. E não a melhoria dos números, do desempenho.
O Estado tinha no ano passado A (endividamento), A (liquidez) e B (poupança corrente). Hoje tem A (endividamento), B (Liquidez) e B (poupança corrente). Números públicos.
É ainda melhor do que o A, B e C (que o colocava na letra C) que recebeu de Mauro Carlesse (Capag 2021). Mas levou um tranco e por pouco não voltou no ano passado a 2021.
Favoreceu a isto a queima de disponibilidades. O Estado fechou 2021 com disponibilidades de caixa (recursos não vinculados) de R$ 432 milhões positivos que manteve por dois anos.
Fechou 2024, entretanto, com R$ 9,2 milhões negativos. Apesar do crescimento espetacular das receitas e da economia regional. Dados do seu próprio balanço.
A curva da despesa de pessoal não ficou atrás. Em 2021, o governo fechou com 48,85%, reduziu para 39,35% em 2022 (com Wanderlei) aumentou para 44,87% (2023) e fechou o ano passado com 46,32%.
Tem outros méritos, claro. Reduziu a dívida consolidada e o passivo com o Igeprev e os funcionários.
Mas isto não o credencia a fazer uso do total que aplicou em três anos para situar avanços atuais, como é o caso dos investimentos.
Em três anos (e não agora), o governo fez previsão de investir R$ 6,1 bilhões e só empenhou no período R$ 4,1 bilhões. O número celebrado hoje pelo grupo gestor.
Ou seja, aplicou apenas 67% do que programou na lei orçamentária no triênio.
Período em que as receitas cresceram 22,7%
É claro que ao apontar este tipo de movimento se está sujeito a muita coisa. Mas o grupo gestor (formado por técnicos competentes) deveria ter a função de auxiliar o Chefe do Executivo nas suas decisões técnicas.
E não empurrá-lo no labirinto político.


