A Polícia Militar (e o governo) deveriam estabelecer um padrão. Pela lógica, o modo deveria seguir sempre o que diz a lei.
A decisão da Polícia Militar de ontem determinar que pipeiros, que reivindicam pagamentos do governo, deixem o estacionamento da Assembléia Legislativa sob pena de multa de R$ 5 mil por cabeça, atende a legislação.
O estacionamento é um espaço público e sua interdição elimina o direito de ir e vir do cidadão. Ainda que a reivindicação seja justa.
Aponto, entretanto, que a Polícia Militar não operou de forma idêntica na greve dos caminhoneiros (2018) que interditou rodovias estaduais e federais no Estado por dez dias. Uma greve que levou prejuízos de R$ 32 bilhões ao país.
Pelo contrário: o governo do Estado foi mais afoito. O Palácio Araguaia circulou nota oficial dando apoio ao movimento que cassava os direitos de ir e vir do cidadão nas rodovias públicas.
Interditaram as rodovias que liga Palmas a Porto, Palmas a Paraíso a BR-153. Sem qualquer oposição do governo e da Polícia Militar.
Na nota, o governo dizia que não iria seguir determinação do governo federal para utilizar a força policial no desbloqueio de rodovias
E que o governo federal precisava encontrar uma solução para a greve sem oferecer qualquer risco para a população e para os caminhoneiros, dizia a nota do Palácio.
Dando um cangapé na história, o governo poderia, hoje, com os pipeiros, fazer uso da mesma posologia que receitou ao governo federal: negociava o pagamento da dívida de R$ 3 milhões que lhes atribuem os pipeiros e pronto.
Mas lá, em 2018, era período de eleição estadual quando Mauro Carlesse, no cargo de governador, foi reeleito na suplementar e nas eleições gerais.


