Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Governo tem responsabilidade sobre situação do Plan-Saúde. Mas a equação tem outras nuances: com valor anual gasto com plano, seria possível governo manter HGP por seis meses!!!

luizarmandocosta 03/03/2020 516 visualizações

O Sindicato dos Servidores Públicos encheu a Praça dos Girassóis de cartazes cobrando do governo a regularidade do Plan-Saúde. Os sindicalistas exercem o seu papel e os funcionários a cobrança de um direito.

O problema é o exagero da retórica eleitoral (alguns estão em declarada campanha) em detrimento do enfrentamento técnico e político da questão.

Mesmo considerando a dívida publicada do governo com o Plan-Saúde (R$ 224 milhões/balanço 2019). Uma inconsistência e ilegalidade dada a apropriação dos recursos dos funcionários.

Explico: os sindicalistas tentam convencer a população (com os cartazes públicos) que o problema da falta de atendimento pelo Plan-Saúde irá explodir o sistema público do SUS, na tentativa inequívoca de jogar a população contra o governo. Uma falácia que contamina eleitoralmente as justas reivindicações.

Na Agência Nacional de Saúde Complementar nesta terça está registrado que em 2019 no Estado do Tocantins havia 105 mil beneficiários de assistência médica por planos de saúde. Em 2018 eram 109 mil.

Deixaram os planos de saúde privada (e foram para a rede pública) quatro mil usuários. Ou: uma redução de 3,6%. Quase o percentual de usuários do Plan-Saúde em relação à população do Estado. E nada explodiu até agora.

No Plan-Saúde (conforme o próprio plano) são 81 mil usuários que os sindicalistas arredondam para 90 mil. Acrescentam, como se nota, a população de duas cidades de pequeno porte como margem de erro.

Mas não é o ponto: o Estado tem 1 milhão e 572 mil pessoas. Ou seja, apenas 6,6% teriam plano de saúde. De outro modo: 93,4% da população já estariam no SUS!!!! Se considerarmos a migração apenas dos servidores e dependentes associados do Plan-Saúde, seriam meros 5,5% a migrarem para o SUS.

O Plan-Saúde é fundamental para os servidores mas a discussão errática em que os sindicalistas se fundamentam, vai contra os usuários. O Plan-Saúde tem despesas mensais de R$ 19,7 milhões mês. As receitas tem origem no governo e funcionários (49,93%/ R$12 milhões/governo e 50,03%/ R$ 12 milhões/servidores) que totalizam R$ 24 milhões mensais.

Com essa parcela de R$ 12 milhões mensais (somados os doze meses do ano), por exemplo, o governo prestaria atendimento de média e alta complexidade aos demais 1 milhão e 497 mil pessoas - que já estão no sistema público de saúde - por seis meses.

Relatório apresentado pelo governo aos deputados registra que em 2019 o governo aplicou em atendimento de média e alta complexidade (o gargalo do HGP por exemplo) um total de R$ 318 milhões no ano passado.

De outro modo: não há na equação apenas o erro do governo ao não repassar as contribuições ou deixar de pagar fornecedores e prestadores de serviço, médicos e hospitais.

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