O governador Mauro Carlesse reúne prefeitos nesta terça para detalhar (e explicar) o processo de concessão de parte do Jalapão. Será no gabinete do governador com a presença de representantes do BNDES.
O Palácio Araguaia (e o banco) tentam fazer ver aos prefeitos que há distorções na resistência colocada por agentes de turismo e quilombolas cooptados.
Poderia agir diferente? Poderia!!! Bastaria passar a fiscalizar os agentes de turismo e as pousadas do Jalapão. Uma blitz na rodovia é bem capaz de sobrarem poucas.
Mas aí criaria outro problema político, arriscando-se a ver sua ação de fiscalização ser tratada como retaliação, favorecendo o discurso vitimista em curso por compaixão forçada.
As distorção são inúmeras!!! Assemelha-se a uma vigarice intelectual, com efeito, amplificar que o Jalapão será vendido.
Não será o Jalapão e sim áreas do governo (tituladas a seu favor) e não será privatização e sim concessão. Uma diferença abissal.
E, como está na lei, não atingirá áreas de quilombolas e comunidades tradicionais. Isto torna a recente (sim, recente) epifania de defesa do Jalapão, uma quimera.
E por que recente? Siqueira Campos construiu com recursos públicos uma pousada dentro do Jalapão e a entregou de graça à exploração da iniciativa privada. Sem qualquer resistência das lideranças.
É claro que dois erros não fariam um acerto. Mas o projeto do governo atual segue as leis e tende a dar certo, atrair investidores, mais turistas e gerar empregos. Tudo regulado pelo poder público.
Haverá licitação e não escolha discricionária do empresário, haverá concessão (aluguel) e não doação. E o MPE e MPF que, se não agiram lá atrás, parece agora estarem mais atentos.
Como a previsão de concessão de parques é uma lei federal, o discurso limita-se à preservação dos interesses privados regionais que hoje tomam conta da região sem a regulação pública.
E aí lideranças, formuladores e formadores de opinião que repassam da forma como recebem as informações manipuladas, não passariam de armadura à má fé de empresários e grupos. Tanto econômicos quanto políticos.
Ademais, como haverão, pela lei, audiências públicas, a cobrança delas antecipada como elemento de refutação da intenção governamental, leva a resistência a um paradoxo: haveria uma vontade negativa da população antes mesmo de ser-lhe apresentado o projeto para avaliação. Ou seja, a parte estaria decidindo pelo todo.
Tipo não vi e não gostei.


