O tesouro estadual terá amanhã nos cofres mais R$ 136 milhões e 185 mil da terceira parcela de junho do Fundo de Participação dos Estados. Fecha o mês com repasses, assim, de R$ 451 milhões e 512 mil de FPE.
O montante certifica as condições orçamentárias e financeiras favoráveis do governo, provenientes da compatibilização de receitas e despesas.
Vem daí, em boa medida, a folga para o Executivo pagar os salários do mês de junho (na semana passada) com 20 dias de antecipação (o prazo da lei é até o 10º dia do mês seguinte), na ordem de R$ 255 milhões. De outro modo: só com o FPE o Executivo pagaria duas folhas líquidas de salários.
Esses R$ 451 milhões de junho/23 são 4,6% superiores aos R$ 431 milhões de junho/22 e 26,9% acima dos sR$ 330 milhões de junho de 2021. É um desempenho que acompanha o crescimento da arrecadação tributária que até esta quinta já é de R$ 650 milhões (portal das transparências desta quinta).
Contra os R$ 496 milhões (junho/22) e os R$ 413 milhões (junho/21). Comparando jun/21 com os tributos de jun/23, um avanço de 26,8% na arrecadação tributária entre um mês e outro do ano. E 52,5% acima dos impostos de junho de 2021.
Por outro lado, as despesas empenhadas até esta quinta (29 de junho) situavam-se na faixa dos R$ 1,073 bilhões. Contra os R$ 1,280 bilhões (empenhados em junho/22) e R$ 950 milhões (junho/21). Ou seja, o índice de crescimento das despesas em junho é inversamente proporcional ao avanço das receitas de FPE e arrecadação tributária. E o mérito não é só das circunstâncias.
As pessoas, não raro, ficam por entender o apego do blog aos números positivos da administração, deixando de lado que, quando se mostravam negativos, também se apontava aqui as inconsistências.
Nos governos Sandoval Cardoso e Marcelo Miranda, para ficar só nestes, o Palácio fechava o ano sem orçamento e sem financeiro. Acabavam em setembro ou outubro.
Uma irregularidade que TCE e deputados pouco fizeram para punir os gestores. Ainda assim, de 2015 a 2017, a folha de salários foi aumentada em R$2,3 bilhões. Mais de um bilhão a cada doze meses.
Estes apontamentos, à época, acionaram o gatilho do governo (secretaria de Comunicação) não só a alijar o blog das verbas publicitárias do Palácio Araguaia mas pressionar instituições e iniciativa privada a também fazê-lo.
Verba públicas que já não programavam em função das críticas que se justificavam justamente pelo inconsequente desempenho do governo na questão fiscal.
Agora invertido no governo de Wanderlei Barbosa. Ou seja, de inadimplente e sem liquidez, quase falido, o governo comandado por Wanderlei apresenta-se, agora, superavitário com disponbilidades de R$ 3,5 bilhões.


