O governo segue seu calvário: é cobrado pela população por não realizar investimentos e pelos servidores por escalonar pagamento de benefícios. Prensada entre estas duas forças físicas, estão as dívidas, que a administração não consegue honrar porque o cobertor é menor que o "de cujus" que herdou. E aí vai pulando, como é o caso da busca por empréstimos que, em médio e longo prazos, agravam o problema.
Os servidores cobram direitos. Estão certos. O equívoco foi na concessão por governos e deputados perdulários e populistas. E aí não há como não recordar dos apontamentos deste blog desde 2010 com o ex-governador Carlos Gaguim, na sua persecução eleitoral, criou duas dezenas de planos de cargos e salários, elevando a folha de pagamento sem a correspondente receita.
O problema eram os planos? Não!!! A reivindicação dos servidores? Não!!! E sim a irresponsabilidade dos governos ao concedê-los. Salários desconectados da economia regional, do abismo social da maioria da população que paga os impostos e das receitas!!!
Os servidores achincalharam o blog porque estaria contra os benefícios. Pelo contrário, estava a favor da administração e da economia que paga os salários e, portanto, a favor dos salários. Pagamentos não existem sem receitas.
A irresponsabilidade eleitoral seguiu com Marcelo Miranda. Afinal, eram 50 mil votos diretos e outros 150 mil indiretos, dada a contabilidade do IBGE (de que cada trabalhador corresponde a outras três pessoas no domicílio) ou da Justiça Eleitoral que contabiliza, em média, três eleitores em cada domicílio.
Resultado: nos dois primeiros meses de 2020, o governo pagou despesas de R$ 1 bilhão e 126 milhões. Destes, 74% com despesas de pessoal (ativo e inativo). Mais: das despesas com salários (R$ 837 milhões pagos), o equivalente a 89% foi consumido por efetivos (ativo e inativos).
De outro modo: de todas as despesas pagas pelo governo, 72% foram com servidores (ativos e inativos). Colocar contratados e comissionados na equação é uma falácia dos efetivos para reduzir sua participação no buraco.É deles também a responsabilidade pelos planos de cargos e pelos salários nababescos e aposentadoria com vencimento da ativa.
É a turma que se prepara para combater a elevação da contribuição do regime próprio de previdência que o governo terá que fazer nos próximos dias em cumprimento às determinações da Reforma da Previdência.
Isto aí significa 54% das receitas correntes no período (R$ 1,533 bilhões). Sobraram para o governo, no período, R$ 696 milhões para pagar investimentos, serviço da dívida, amortização, outras despesas de custeio.
Resultado: teve que pagar apenas 42% das despesas de custeio do período e apenas 1,8% dos investimentos contratados.
Uma administração, como se nota, que é mantida pelo contribuinte para bancar, em larga medida, benefícios e salários dos servidores. O meio substituindo o fim. E que agora, com a situação colocada, exerce o papel de mais uma vítima. Ainda que tenha contribuído, em grande escala, para as circunstâncias em que esgrimem estarem sendo prejudicados.É. Faz sentido.


