O governo paga nesta segunda os salários dos servidores. É transparente no comunicado oficial: a folha líquida custa R$ 178 milhões. Ademais, há Estados no país atrasando e parcelando salários. Como no Portal das Transparências de hoje registra-se R$ 367 milhões empenhados para salários no mês de janeiro, com pouca variação (retirando os R$ 55 milhões empenhados de despesas de exercícios anteriores) tem-se um "pendura" de verbas salariais e contribuições de R$ 134 milhões mensais.
Projetando para dezembro de 2020, é possível inferir que as dívidas do governo com servidores poderão ser acrescidas em mais R$ 1,6 bilhão este ano. É, tudo indica, não há, até agora, discussão ou apontamento de como o governo irá fazer para amortizá-la.
Deve, como os demais governos, ir empurrando com a barriga não sem a condescendência do Tribunal de Contas, Legislativo, Judiciário regional e do Supremo Tribunal Federal.
Não é uma dívida apenas desse governo. O Executivo publicou na semana passada no balanço de 2019 um passivo de R$ 2 bilhões e 474 milhões. Do total, cerca de R$ 2 bilhões dizem respeito a débitos com servidores.
Dentre eles, o não recolhimento de R$ 1 bilhão e 60 milhões de contribuições patronais do Igeprev e outros R$ 58 milhões da contribuição dos servidores que não repassou para o fundo dos aposentados. Há ainda mais R$ 225 milhões do Plan-saúde.
Sem solução de continuidade, uma conta simplória levaria a que o governo está inclinado a fechar 2020 com passivo com servidores da ordem de R$ 3,6 bilhões apenas somando o débito publicado àquele que, pela inércia administrativa e orçamentária, se projeta.
Como o quitará é a dúvida.


