É claro que se está diante de uma distorção: um cidadão internado no HGP há 45 dias aguardando uma cirurgia, teve o procedimento desmarcado por falta de luvas!!!! Mais não bastasse: a Secretaria de Saúde se escusa do escândalo apontando a pandemia como justificativa para a demora na reposição de...luvas!!!!
É claro também que fosse a perna do Secretário de Saúde sob risco de amputação ou perda de movimento, não faltariam luvas, como ocorre com o pedreiro Anselmo de Jesus (reportagem de hoje do jornalista Samir Leão, no JTo) que não pode recorrer ao Divino para não ter complicações maiores na sua tíbia e tornozoelo. Fundamentais no seu ganha pão.
E obrigado a contentar-se com um "demora na reposição de alguns ítens no Estoque Central" que, por si só já expõe o planejamento caótico da Secretaria. Como luvas são indispensáveis nas cirurgias (e é pública como numérica a fila de operações), ou o Secretário (e a pasta) tencionariam expor pacientes a operações sem luvas, ou estaria pouco se lixando para cirurgias ao não inclui-las no planejamento prioritário. Não vou me ater nem aos valores. Sejam éticos, morais ou financeiros. E o custo do par de luvas ou a "dificuldade" de fornecedores.
A denúncia do Jornal do Tocantins desta quarta deveria pelo menos provocar no Secretário de Saúde (e no governo), de tal forma, a vergonha alheia. E a demissão do gestor. A falta de luvas é apenas uma das distorções da pasta, envolta em contratações milionárias e tardias com recursos destinados à Covid.
E as justificativas por causa da pandemia? O governo já atendeu em 2020 até esta data, 7 de outubro de 2020, um total de 248 mil pessoas nos hospitais públicos com atendimentos de urgência e emergência. Durante todo o ano de 2019, foram 472 mil atendimentos (dados públicos do IntegraSaúde/Tocantins).
De outro modo: em noves meses (75% do exercício) a demanda foi de 52% dos 100% do ano de 2019. Ou seja, o número de atendimentos (numa continha básica) pode elevar-se (mantida esta aceleração) a 330 mil atendimentos de urgência e emergência em 2020. Ou ainda: 30% menor que no ano passado.
Por outro lado, o governo do Estado teve nos cofres estaduais até hoje o equivalente a R$ 7,3 bilhões (transferências constitucionais, transferências da saúde, arrecadação de impostos). Dados também públicos.
Ou seja: em 9 meses já conseguiu realizar receitas à ordem de 90% dos R$ 9,09 bilhões (já incluídas as intra-orçamentárias, sem elas foi R$ 8,6 bilhões) realizados em todo o ano de 2019.
Faltando ainda três meses de receita e arrecadação. Mantida a aceleração alcançará dezembro com algo próximo de R$ 9,8 bilhões de receitas realizadas. Cerca de 8,8% superiores ao relizado em 2019.
Contra a redução de 30% nos atendimentos de urgência e emergências nos hospitais públicos do Estado. Ah, LA, tem a pandemia. Como é público o governo ficou de março a julho entregando cestas básicas, redistribuido parte dos recursos carimbados aos municípios e redistribuindo para UTIs Covid, unidades que já existiam nos hospitais destinadas aos pacientes de UTI clínica. Só veio montar o tal hospital de campanha já em agosto.
E faltam luvas para cirurgia!!! Uma piada não fosse uma indecência.


