O governo decidiu reajustar as tabelas dos profissionais que atendem o Plan-Saúde (que ele denomina agora de Servir). Diz que para valorizar os profissionais e que as tabelas estariam defasadas. Uma boa medida mas que tomadas as circunstâncias assumem outra natureza.
Óbvio que os médicos irão comemorar. Os valores pagos atualmente são realmente fora do mercado. O governo os reajustou agora em 86% (consultas eletivas), 10% (pronto atendimento/pediatria), 13% (pronto atendimento/demais especialidaddes) e em 50% o valor pago a médicos por visitas a internações clínicas.
Três questões: o governo publicou na semana passada um débito de R$ 233 milhões e 945 mil com o Plan-Saúde. Intuí-se que vai aumentá-lo. E mais: R$ 518 milhões de débitos não parcelados a pagar com fornecedores. No último dado publicado, o governo devia a hospitais e prestadores de serviço do Plan-Saúde R$ 18,7 milhões (auditados) e R$ 76,2 milhões (aguardando auditoria).
A inflação anual no país (até setembro/últimos doze meses) está na faixa de 4,54%. O governo tranquiliza que o reajuste (publicado no Diário Oficial de ontem) não importará em aumento de custo para o usuário (associado). Como em matemática e contabilidade não existe milagre, espera-se mais dívida.
Deduz-se, por simples lógica, que o poder público (que já banca 49,97% do plano/ R$ 12 milhões mensais e outros R$ 12 milhões do associado) irá aumentar as despesas do contribuinte. Terá que retirar de algum lugar a grana quando cancela cirurgias por falta de luvas. Isto quando havia anunciado no ano passado um projeto de desoneração do plano de saúde dos servidores.
E que estimava uma redução da contrapartida para 40% (1º semestre/2020), 30% (2º semestre/2020) e 20% (1º semetre/2021). Projetando uma economia de R$ 60 milhões no final do primeiro semestre de 2021.
Pra ficarmos só nisso aí e tendo como parâmetro o mês 5/2019 (apresentado pelo plano aos deputados). Naquele mês, o Plan-Saúde teve um custo total de R$ 19 milhões e 714 mil (receitas de R$ 24 milhões/custo administrativo de R$ 786 mil). Destes, R$ 1 milhão e 460 mil foram atendimentos de urgência, R$ 1 milhão e 298 mil (consultas) e R$ 7 milhões e 662 mil (internações).


